Coluna Circulando e a política atual.

Existe vontade?

Ana Maria Leal
Setembro 21/ 2021

Já há algum tempo o vereador João Hartmann (MDB) tem se manifestado quanto a necessidade de uma atenção maior às famílias catadoras de material reciclável na cidade de Carazinho, inclusive, tendo apresentado projeto nesse sentido, que acabou retirando, a pedido do executivo, sob a promessa de que o governo municipal já está elaborando projeto para enviar à câmara que atenda às necessidades dessa parcela da população local. 

Na sessão da câmara nesta semana, realizada na noite dessa terça-feira (21), ele tocou novamente no assunto, ampliando uma questão que, tenho certeza, preocupa a bem mais pessoas: os animais usados por alguns desses catadores.

Compartilhou uma situação vivenciada nas ruas de Carazinho: ''Vi um cavalo passando mal, puxando uma carroça pesada, e uma cidadã conversando com o carroceiro, também chocada com aquela cena. Mas o que fazer? Para onde levar?''.

João disse que o município está recolhendo cavalos soltos pelas ruas, que são resgatados pelos responsáveis mediante pagamento, e pelo menos três já foram adotados. Informou que um desses está em Saldanha Marinho.

Porém, a solução encontrada pela gestão municipal é para os sadios, bem nutridos, que estão soltos pela rua.

Recolhidos, se o tutor não se apresenta, são encaminhados para adoção.

Mas assim é muito fácil.

Claro que para esses devem estar dando senha para adoção.

Quem não quer 'ganhar' um cavalo 'top de linha'?

Mas e os velhos, acabados, doentes, quase morrendo à frente de uma carroça?

Para esses, o poder público tem alguma solução?

O questionamento do vereador João tem, sim, fundamento. 

Qual o motivo desses também não serem recolhidos pelo município, levados para atendimento veterinário, para que possam passar os últimos dias de vida com um pouco de dignidade, depois de terem dado a vida ajudando o ser humano a ganhar seu sustento?

Simples. Os velhos, ninguém quer. 

E ninguém fiscaliza as condições desses que estão amarrados nas carroças. 

''Temos que cuidar de nossas pessoas, mas também temos que cuidar de nossos animais''.

João disse que a possibilidade de abrigamento estudada pelo município é para o ano que vem.

Mas, será que o município vai querer tirar da rua um animal que vai requerer investimento em tratamento e dificilmente seja útil e interesse a alguém adotar?

Acho difícil. Vão passar pelo judiado e recolher o bonitão.

E qual a contrapartida para o catador que usa esse animal?

Sim, é alguém que está ali em busca do seu ganha pão.

O que será feito dele ao ter o cavalo recolhido? Vai ganhar um cavalo de lata? Vai ganhar uma cesta básica periódica? Vai ganhar outra alternativa de renda?

Faltam muitas respostas.

Ou, talvez falte mesmo é vontade de mudar a realidade dessas pessoas e de seus animais.    

Infelizmente.







Compartilhe esta coluna em suas redes sociais