Coluna Circulando e a política atual.

CPI.

Ana Maria Leal
Julho 26/ 2021

Foi votado e aprovado nesta noite (26) o relatório oficial da CPI da câmara de Carazinho.

Aprovação apertada, diga-se de passagem.

Mais do que o voto de desempate da presidente Janete Ross de Oliveira - que não iria contra um relatório elaborado pelo colega de partido e que afastou qualquer possibilidade de irregularidade em membros do seu governo - foi o voto do emedebista Vanderlei Lopes que praticamente garantiu essa vitória.

Ele firmou o placar em seis a seis.

Eu até imaginei que o vereador Vanderlei iria se abster de votar, já que era um dos investigados, e seu voto poderia ser interpretado como um favorecimento pessoal.

Mas isso não foi empecilho. Votou, com tranquilidade, pelo relatório.

O vereador Bruno Berté, que mesmo sendo membro da CPI divergiu do resultado e elaborou relatório paralelo, diferente do oficial, apresentou suas ressalvas, lembrando que na apuração pode-se apontar possível cometimento de crime: ''É uma CPI que não aponta os citados, mas os ocupantes das casas, como se estivessem ido lá sem ninguém saber, a corda arrebenta no mais fraco. Receberam autorização de colocação de água e luz, falaram que todos sabiam, do prefeito ao diretor, e o relatório diz que nada aconteceu, que a solução é construir muro''.

Vanderlei não gostou, e acusou o colega pedetista de ter causado todo esse ''rebuliço'' que vai resultar na retirada das pessoas que moram lá. Disse que assinou, sim, na ocasião como diretor de Habitação, e com o então secretário Geral de Governo Jorge Dutra para as ligações de água e luz, mas que devido aos governos anteriores ''tem lá (na área das Obras) 60 famílias de forma irregular''.

Márcio Guarapa também culpou Bruno. Afinal de contas ''deveria antes ver a situação das pessoas que moram lá''.

Ou seja, na sua opinião, melhor teria sido fazer vista grossa quando as denúncias a respeito chegaram ao seu conhecimento.

Fábio Zanetti pensa diferente. ''Gostar de estar votando essa CPI ninguém gostaria, mas a principal função do vereador é fiscalizar. Estou aqui par votar seja meu colega ou amigo, e prova disso foi que votei para a cassação do vereador Clayton (Pereira) que hoje está no meu partido e é meu suplente. Esse relatório é ridículo. Acompanhei uma das oitivas da CPI e o relatório é completamente diferente de todo o processo que está na CPI. Vou dormir com a minha consciência tranquila pelo meu voto contrário a esse relatório''.

Na plateia, nervoso, acompanhando a votação, estava Paulo Sergio Alves, o Teinho, funcionário público municipal que mora numa das casas em questão.

Irritado, disse que a CPI é uma palhaçada.

Além dele o advogado Antonio Azir acompanhou a votação. Nos bastidores o comentário é de que ele foi quem redigiu o relatório para o colega de partido Alcindo Águia.

Se foi ou não, é um relatório ''excelente'', na avaliação do relator, conforme afirmado em determinado momento do texto: ''...é possível concluir que houve um excelente trabalho da Comissão Parlamentar de Inquérito''.

De qualquer forma, a CPI pode ter sido encerrada, mas não a animosidade entre Vanderlei e Bruno.

Antes de concluir seu pronunciamento o vereador Vanderlei mandou um recado ao pedetista: ''É uma falta de respeito, espere que estamos vindo de volta. Aguarde o que lhe espera...''. 






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