Português e Literatura

Maneira de amar

Maria Solange
Julho 12/ 2021

Ainda escrevendo sobre Drummond, um gênero em que ele se destacou foi no CONTO, pequena narrativa que consiste em apenas uma trama com poucos personagens. Dentre os contos dele, escolhi este para refletirmos as diferentes maneiras de amar.

“O jardineiro conversava com as flores, e elas se habituaram ao diálogo. Passava manhãs contando coisas a uma cravina ou escutando o que lhe confiava um gerânio. O girassol não ia muito com sua cara, ou porque não fosse homem bonito, ou porque os girassóis são orgulhosos de natureza.

Em vão, o jardineiro tentava captar-lhe as graças, pois o girassol chegava a voltar-se contra a luz para não ver o rosto que lhe sorria. Era uma situação bastante embaraçosa, que as outras flores não comentavam. Nunca, entretanto, o jardineiro deixou de regar o pé de girassol e de renovar-lhe a terra, na devida ocasião.

O dono do jardim achou que seu empregado perdia muito tempo parado diante dos canteiros, aparentemente não fazendo coisa alguma. E mandou-o embora, depois de assinar a carteira de trabalho.

Depois que o jardineiro saiu, as flores ficaram muito tristes e censuravam-se porque não tinham induzido o girassol a mudar de atitude. Porém, a mais triste de todas era o girassol, que não se conformava com a ausência do homem.

           “ – Você o tratava mal, agora está arrependido?" – diziam-lhe as outras flores.

           “ – Não – respondeu, - estou triste, porque agora não posso tratá-lo mal. É minha maneira de amar, ele sabia disso, e gostava".

Neste conto, Drummond nos mostra que há diferentes maneiras de amar. Há aquelas que se demonstram mais afetuosas e outras que são demonstradas de um jeito diferente. O jardineiro tratava todas as flores da mesma maneira, independente da atitude de cada flor. Embora o girassol não demonstrasse que gostava daquela atenção, o jardineiro sabia que o girassol se importava e também o amava, porém do seu jeito.

E é assim que nos deparamos com os nossos relacionamentos. Muitas vezes, não entendemos a forma de amar do outro e nos equivocamos, pensando que este não nos quer bem. O que precisamos é ter sensibilidade para perceber as atitudes, os gestos, os sinais que surgem sutilmente, mas que denotam a afeição retribuída. Precisamos ficar mais atentos e nos sensibilizarmos com os detalhes, pois é neles que está a verdadeira forma de amar. Pensemos nisso!



(Foto: Divulgação)




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