Coluna Circulando e a política atual.

Falta informação.

Ana Maria Leal
Junho 09/ 2021

Não é de hoje que na hora de ler a íntegra de tal projeto de autoria do executivo, no site da câmara, para ter conhecimento a respeito, principalmente para poder informar, não encontro todas as respostas que gostaria.

Fico com dúvidas. Fazer o quê...

Pensei que só acontecesse comigo, e me conformei com minha ignorância a respeito de tantos assuntos sobre a minha cidade.

Pois não é que, durante a sessão da câmara desta semana (07), ouvi de alguns vereadores que eles também acham que os projetos deveriam ser mais ''esmiuçados''?

Essa foi a palavra usada.

Por muitos.

Começou ao comentarem o fato de tantas críticas nas redes sociais recentemente sobre a destinação de R$ 80 mil para a compra da motolância do Samu em projeto do executivo aprovado na câmara. Não li esses comentários, admito, mas parece que o montante do projeto foi bastante questionado.

O emedebista Márcio Guarapa disse que se houvesse um melhor detalhamento, informando que tanto era para o veículo, tanto para que estivesse com tais e tais equipamentos, e tanto para reforma de tal prédio da saúde, a comunidade estaria informada a respeito.

Evidentemente, evitaria todas as críticas que receberam.

E o projeto no site estava sem detalhamento algum. Tanto que nas vezes que divulguei, deixei claro que não sabia como seria o direcionamento do valor.

Guarapa chegou a pedir ao colega líder do governo, vereador Vanderlei Lopes, que tratasse disso: ''Que o executivo traga os projetos mais esmiuçados, Vanderlei. Realmente é um serviço essencial da motolância, não pode deixar de existir, mas por o projeto não ser tão detalhado, tão explicado, somos castigados nas redes sociais, se tivesse vindo um pouquinho mais detalhado: que era a motolância, o rádio amador, tal e tal equipamento, não sofreríamos tantas críticas que nem sofremos nas redes sociais''.

O líder do governo respondeu que no dia seguinte levaria o assunto ao prefeito: ''Amanhã vou me dedicar uma hora lá com o senhor prefeito pra vir mais esmiuçado essas coisas pra não expor o poder legislativo. Tá tudo ok (com o projeto), tudo bem, mas cai na mídia, meus amigos e eleitores me cobraram veementemente. Eu tinha alguma explicação pra dar, mas não era 100%. Eu tinha pedido isso quando nos acertamos pra eu liderar o governo aqui na câmara, que eu, a base, e os demais vereadores que precisassem informações complementares, que nós tivéssemos acesso. Mas isso vai ser consertado''.

Alcindo Águia colaborou dizendo que assim como uma viatura ao chegar do estado, por exemplo, ''sem nada'' acontece com a motolância que precisa ser totalmente aparelhada.

Fábio Zanetti lembrou que já no mandato anterior havia essa dificuldade em que os projetos chegassem bem claros, na câmara. ''Desde o outro mandato os projetos não vem de forma ideal, precisamos de informação a mais para que a comunidade fique sabendo do que trata tal projeto, mas não vem. O caso da motolância foi um deles, mas quando se trata de saúde temos que dar prioridade, votamos, mas, infelizmente, não estava bem explicado e ocorreu esse ruído''.

Aproveitou para citar outro projeto, da pauta desta segunda-feira, destinando R$ 280 para contratação de empresa que fará mapeamento no cemitério municipal.  ''Nesse projeto há falta de informações e também se questiona o uso desse recurso num momento em que a pandemia requer muito investimento. O texto fala pouco, resumidamente, que é a contratação de empresa que faz mapeamento, recadastramento de dados, e complica a nós explicar para a comunidade. Acredito que realmente o cemitério precisa de uma organização melhor, mas precisamos discutir um pouco mais, e mais à frente, não nesse momento. Que nesse momento pudesse implantar o restaurante solidário em Carazinho, que daria com esse valor do recurso para ser mantido por mais de um ano servindo refeições às pessoas''.

Guarapa ironizou o colega: ''Foi um discurso bonito, bem comovente, quase me emocionei aqui. Mas acredito que esse serviço é extremamente importante no cemitério municipal. Quanto a recursos para a saúde, não está faltando recurso, está faltando conscientização, e já tem R$ 2 milhões aprovados para a compra de vacinas, dias atrás aprovamos recursos para o hospital e UPA, agora entrou mais um projeto de R$ 3 milhões para a saúde, mas o trabalho tem que prosseguir, a população tem que continuar trabalhando, de uma forma ou de outra''.

Daniel Weber pediu vistas ao projeto do mapeamento do cemitério, bem como sugeriu que a câmara chame algum dos responsáveis para explicar o que não consta no texto. ''Não vou me atrever a explicar o que eu também não tenho total conhecimento, até para saber porque o valor tão alto, entendi que esse projeto vem realocar jazigos, planejar algumas coisas de ruas. O cemitério está muito precário, mas muito precário, ruim, tem bastante jazigo abandonado, mas quero as explicações também para justificar porque desse montante e porque desse momento''.

Nem o líder do governo conseguiu explicar tal projeto: ''Realmente o cemitério está precisando de uma organização lá, arruamento, hoje, vem uma pessoa de fora, morando longe, fica assustada, nem acha o seu ente querido, o projeto vai organizar, vai ter um computador lá vai localizar direitinho, e tal, mas temos que dar uma esmiuçada, concordo com o vereador Daniel'', disse Vanderlei.

Alécio Sella perguntou se ainda existe o cargo de coordenador do cemitério, e, se existe, sugeriu que essa pessoa vá na câmara para ''um bate papo de uns 20 minutos explanar a respeito''.

Alcindo foi quem encerrou o assunto revelando que a desorganização é grande, e não há, em lugar algum, controle sobre quem são os sepultados no cemitério municipal de Carazinho: ''Esses tempos, nem nas Obras nem na Assistência Social, não se achava em lugar nenhum os mortos, e os mortos também tem que ser valorizados, eles fazem parte da família da gente, com certeza''.





Compartilhe esta coluna em suas redes sociais