Coluna Circulando e a política atual.

''Porque é ...''.

Ana Maria Leal
Abril 27/ 2021

Quem acompanhou a maioria dos pronunciamentos na sessão da câmara de vereadores desta segunda-feira (26) pode ter notado como um fato é desconectado da realidade para parecer que se trata, de outro, bem diferente.

Me refiro ao questionamento do vereador pedetista Bruno Berté - já abordado aqui - sobre a questão regimental que, segundo ele, é dúbia, levando ao entendimento de que no afastamento do presidente para assumir cargo no executivo o recomendado pelo regimento interno da câmara seria eleger o sucessor.

A mesa diretora optou por colocar no lugar quem ocupa a função de vice na chapa que administra a câmara, Janete Ross de Oliveira

Qual o motivo de eu abordar esse assunto novamente? O simples fato de ter questionado a aplicação do regimento vem causando mais do que uma apuração interpretativa do conteúdo.

Foi transformado numa acusação de machismo.

E ofensa. O vereador Bruno, - que por motivos de saúde tem as cordas vocais afetadas -, foi chamado de boneco de ventríloquo.

Há quem queira ver a busca pelo esclarecimento como uma ação motivada ''apenas porque se trata de uma mulher''.

Cômodo, isso.

Encerra-se qualquer discussão com :

''É porque é homem''.

''É porque é negro''.

''É porque é branco''.

''É porque é gay''.

''É porque é católico''.

''É porque é evangélico''.

''É porque é de direita''.

''É porque é de esquerda''.

''É porque é pobre''.

''É porque é rico''.

Qualquer defesa de bandeira, de espaço, de ideais, é muito mais legítima quando não se esconde atrás de um chavão. 

E contando com uma plateia efusiva ansiosa pelo clímax planejado. 

Não me ocorre que seja errado alguém ter dúvida sobre algo que não tem conhecimento completo.

Ah, mas tem uma explicação por eu pensar assim:

''É porque é da Gazeta''.




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