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Em reunião com representantes de Carazinho secretário de Estado diz que não há como reverter cadeia feminina

Agosto 04 / 2021

A contrariedade do município à construção da Cadeia Pública Feminina de Passo Fundo na divisa com Carazinho foi novamente pauta de uma reunião com representantes do Governo do Estado. Desta vez, nesta terça-feira (03/08), Poderes Legislativo e Executivo e entidades carazinhenses conversaram de forma online com o secretário de Administração Penitenciária Mauro Hauschild.

A presidente em exercício do Legislativo, Janete Ross de Oliveira, explicou que o intuito da reunião era demonstrar que não há uma contrariedade à construção da penitenciária, porém, questiona-se o local da mesma, já que fica muito perto da divisa de Carazinho e há questões ambientais e sociais impactando. ''A comunidade nos cobra um posicionamento. Temos feito diversos movimentos em Carazinho para chamar a atenção das questões negativas com relação à construção deste presídio e gostaríamos de ter esse diálogo, apesar de não termos sido ouvidos quando iniciou este processo. Nosso dever enquanto representante da comunidade é tentar até o final'', disse.

A vice-prefeita Valéska Walber ressaltou que todos sabem a necessidade desta construção em função da demanda prisional, mas há uma nascente do Rio da Várzea além de uma Reserva Ambiental muito próximas do local da futura casa prisional. ''Sabemos que o processo está adiantado, mas não temos conhecimento deste estudo do impacto que dizem já ter sido realizado e, por isso, gostaríamos de ter estes esclarecimentos. Além disso, temos ainda a questão de logística. Carazinho está a poucos quilômetros do presídio enquanto que Passo Fundo está mais longe'', apontou.

 

''Não há como reverter''

O secretário de Administração Penitenciária Mauro Hauschild esclareceu que está há poucos meses no cargo e que não acompanhou o assunto desde o início, porém, ressaltou que não há como reverter esta decisão porque do contrário seria perdida grande parte dos recursos aplicados na obra, que são de origem federal. ''Qualquer espaço para rediscutir, revisitar ou mudar a localização da obra iria simplesmente possibilitar a perda do recurso que é extremamente importante para o Estado. Com todo respeito, obviamente ao entendimento e as circunstâncias apontadas por vocês, somos sensíveis a esta situação, porém, hoje não tenho condições de reverter esse processo pela certeza de perder o recurso, que já estava parado desde 2016. Nossos recursos já são escassos e perdermos este é extremamente complexo. Ainda gostaria de destacar que a penitenciária vai atender a região inteira, então beneficiará mais de uma cidade, mas acho que podemos discutir algumas ações para o futuro'', destacou.

 

Segurança

O secretário sugeriu ainda que se pode pensar em benefícios para a comunidade de Carazinho. Um deles é a possibilidade de retirar o presídio de Carazinho do centro da cidade, deslocá-lo para uma outra região e aproveitar melhor a área para o município. Sugeriu ainda estreitar com o município e com empresários locais a possibilidade de aproveitar a mão de obra prisional através de um projeto que está sendo ofertado pelo Estado. Segundo ele, atualmente há pelo menos 7 mil trabalhadores prisionais e isso tem resultado muito positivo. ''Me disponho a ir em Carazinho para conversamos com mais profundidade e levar ao conhecimento das empresas locais os benefícios que se pode auferir com os trabalhadores prisionais. Acho que o município tem mais a ganhar do que a perder neste processo'', disse.

O secretário, questionado pelas lideranças locais sobre a segurança no município, disse que cidades onde há presídios são as mais seguras do Estado, com os menores índices de criminalidade, como é o caso de Charqueadas, e que pode conversar com Brigada Militar e Polícia Civil para que mais efetivos possam ser alocados em Carazinho.

Ainda sobre as questões ambientais, o secretário disse que do ponto de vista da Fepam e órgãos ambientais não há nenhum impeditivo para que a construção aconteça porque ficará a uma distância segura da nascente e da reserva.

A presidente Janete agradeceu a disponibilidade do secretário, disse entender que o processo de construção está adiantado e é complexo para o governo do Estado, porém, deixou claro a insatisfação da comunidade local sobre não ser ouvida durante o processo.

Também participaram da reunião a deputada estadual Franciane Bayer, que intermediou a agenda, e o superintendente dos serviços penitenciários José Giovani Rodrigues de Souza, além de representantes de entidades como Sindicar, Sindilojas e OAB.

(Fonte: Ascom Câmara de Vereadores de Carazinho).





Publicado por: Ana Maria Leal E-mail: anamaria@gazeta670.com.br
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