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Estudo de engenheiro constata irregularidades na rodovia de acesso ao santuário de Carazinho

Agosto 06 / 2020

Engenheiro, professor e mestre Paulo Cesar Pinto concedeu entrevista para a Rádio Gazeta nesta semana detalhando estudo realizado in loco de 10 a 19 de julho deste ano para avaliação e diagnóstico do pavimento da rodovia municipal de acesso ao Parque Municipal de Carazinho e Santuário de Santa Rita. A obra foi realizada neste ano num orçamento de R$ 2 milhões e meio.

O engenheiro disponibilizou para a Gazeta o documento técnico elaborado ao final do estudo, informando que o objetivo foi a avaliação das condições funcionais e estruturas do pavimento após obra de pavimentação realizada neste ano, bem como, diagnóstico acerca da análise dos dados. O motivo, estritamente técnico e de caráter acadêmico, para fins de estudo junto ao Programa de Mestrado Profissional em Engenharia Civil, Sanitária e Ambiental (PMPECSA) da Universidade do Contestado (UnC), campus Concórdia (SC), na qual Paulo Cesar atua e desenvolveu essa atividade com um grupo de seis alunos.

Na entrevista o engenheiro disse que os estudos técnicos na parte de engenharia civil envolvendo a cidade de Carazinho vem de longa data. ''Na época de graduação, na UPF, fiz estudos na cidade, em torno de 2008, depois, estudo de composição tarifária do transporte público também, quando fiz mestrado, e agora, depois de morar por mais de 10 anos em Porto Alegre, vi que um dos anseios era uma obra nova de pavimentação de uma estrada municipal, e conversando com pessoas da sociedade, verificado algumas inconsistências, questionamentos não respondidos, e como ministro a disciplina de pavimentação do curso de mestrado em Concórdia, chamei os alunos para fazer alguns testes no pavimento e nas obras realizadas''.

A constatação foi de várias irregularidades.

''Numa análise visual, sem acesso a documentos, nota-se que no entorno à rodovia, obras de drenagem que muito importantes para o funcionamento da rodovia ao longo do tempo não foram muito bem planejadas, quando se percebe a condição funcional, está ok, mas ensaios técnicos objetivos, equipamento, quando se avalia a estrutura da rodovia, se mostra que a rodovia recém executada tem condição estrutural não adequada para uma obra recém executada, e que o período de projeto da rodovia, que seria para durar de 10 a 12 anos, vai ser mais curto que isso, necessitaria de investimentos de manutenção num menor espaço de tempo. Quando se faz uma obra de pavimentação, falo isso aos alunos, também tem o período de projeto, onde condições devem ser atendidas. Quando se faz a obra e o montante financeiro é bastante significativo em obra de pavimentação, e não se tem esse acompanhamento ao longo do tempo, a obra dá um conforto momentaneamente para o usuário, mas a longo prazo não se consegue ter garantia da vida útil ao longo de período razoável''.

No estudo consta que ''Nota-se, pelos dados apresentados, que de forma precoce o pavimento necessita de medidas de restauração para fins de garantia do período de projeto. Fato dado pelo nível de deflexões observados logo após sua execução e que acarretarão em perda de desempenho em menor espaço de tempo''. Deflexão é o grau em que um elemento estrutural é deslocado sob uma carga.

O engenheiro também afirma que esse mesmo resultado final seria obtido com um custo menor, com a utilização de outro tipo de material.

A entrevista na íntegra pode ser acompanhada no vídeo do programa, clicando aqui. 




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