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Casal em Carazinho lamenta que não haja mais respeito para com quem busca no lixo seu sustento

Jornalista Gazeta
Janeiro 11 / 2020

Santina Alvez Becchi, 59 anos, e Sadir Becchi, 63, juntos há 8 anos, mudaram para Carazinho há cerca de três anos deixando a cidade de Novo Hamburgo  a fim de buscar no interior mais tranquilidade e melhores condições financeiras, já que a vida na cidade grande estava muito cara para o casal.

Ao conversar com a Rádio Gazeta contaram que antes de sua união, cada um teve uma família e filhos que hoje estão crescidos e independentes, o que facilitou a decisão de mudar de cidade, tendo escolhido Carazinho para morar. Um dos motivos foi que em Carazinho já vivia a irmã de Santina, que ela costumava visitar, e, em Passo Fundo, a mãe de Sadir. Além disso, consideram que em cidades do interior as pessoas são mais cordiais, a criminalidade é menor, e até o ar mais puro.

Com poucos recursos, uma alternativa foi buscar no lixo por itens recicláveis que garantissem um complemento da renda, já que a única que dispõe é um auxílio recebido por Sadir após ter perdido três dedos da mão numa prensa. O valor é de R$ 700 mas R$ 500 é destinado ao pagamento da parcela da prestação da casa onde moram, na rua Polidoro Albuquerque, 1374, descida do Caic, antes da ponte.

Com os reciclados não conseguem muito, pois contam que o kg da lata está R$3, e o dos pets (garrafas plásticas) menos ainda.

Triste experiência

O casal foi visitado pela reportagem porque Santina telefonou no dia 04 de janeiro para o programa Tribuna Livre, que vai ao ar das 10h às 11h pela Rádio Gazeta AM, todos os sábados, desabafando sobre uma situação enfrentada. Naquela mesma manhã, ao vasculhar uma lixeira em busca de objetos que pudesse recolher, foi surpreendida por um morador que gritou com ela, perguntando o que estava fazendo, e reclamando por mexer no lixo.

Ela respondeu que estava procurando o que fosse possível reaproveitar, mas mesmo assim disse que foi tratada como 'um cachorro' e, muito triste, deixou o local chorando.

Santina e o marido saem todos os dias por volta das 05h da manhã para percorrer o trajeto diário coletando recicláveis e afirmam que colocam de volta o que não pode ser aproveitado, para que o lugar não fique sujo. Acabam o percurso por volta das 09h devido ao forte calor das últimas semanas e pelo fato de que ela tem problemas de saúde e faz um tratamento para o coração. Sadir ficou preocupado quando notou o quanto ela ficou abalada com a reação do morador: ''a médica disse que ela não pode se emocionar''.

O episódio, porém, não fará com que desistam da única maneira encontrada de obter dinheiro. Afinal, eles tem planos. Querem melhorar a casa onde vivem, o que inclui fazer um piso na peça inferior para acomodar o irmão de Santina que veio morar em Carazinho com eles. Nelson, 46 anos, também se tornou catador, pois é o trabalho que conseguiu até o momento.

O casal está feliz com a casa que estão adquirindo. Muito dos móveis foi perdido quando tiveram a casa onde moravam anteriormente alagada numa das chuvas dos últimos anos. Receberam muitas doações, inclusive uma TV, mas que não podem usar porque a imagem aparece duplicada.

Vivem com o pouco que ganham e reaproveitam também em casa o que encontram no lixo. Santina mostrou para a reportagem a cozinha onde os potes e até a toalha da mesa foram recolhidas da rua. Sadir não teve a mesma sorte. Mostrou o pé com o chinelo rasgado dizendo que queria trocar mas, ainda não sobrou dinheiro. Ele calça nº 43. 


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