Geral

Adolescente vende doces em Carazinho esperando uma chance de trabalho com carteira assinada

Ana Maria Leal
Novembro 12 / 2019

Gabriel Pedroso Pereira tem 15 anos, está no 9º ano do ensino fundamental, mora no bairro Santa Terezinha, é o terceiro filho do casal Rodrigo e Graziele, e se tornou conhecido de quem passa pela avenida Flores da Cunha, esquina com a Antônio José Barlete, porque ali, no semáforo, dia após dia, anda entre os carros com uma cesta de rapaduras nos braços, vendendo doces.

Menor de idade, com a autorização da mãe ele conversou com a reportagem da Rádio Gazeta contando sobre sua vida, esperança, e que se prepara para ser pai daqui a algumas semanas.

Gabriel começou a vender doce na sinaleira há cerca de 2 anos e meio como alternativa para ajudar os pais, que 'estavam apertados'.

Parou só quando a família mudou para Lajeado, onde morou por algum tempo, para tentar oportunidades melhores.

Os irmãos são menores, uma menina de 5 e um menino de 10, que chegou a tentar vender na sinaleira também, mas não teve uma boa experiência. ''Ele veio ajudar, aprender, se descuidou e o carro pegou, ralou bastante a cara, foi mais só o susto'', conta Gabriel, lembrando que tiveram que passar o dia inteiro no hospital.

Quando mudou de cidade ele já namorava há dois anos a menina, hoje com 14 anos, que será mãe do seu filho. Ela foi levada também. ''Agora me juntei'' diz ele, acrescentando que vende as rapaduras para juntar dinheiro ''pra mim e pra minha esposa, que tá grávida''.

Conta que a notícia da gravidez, para os pais, ''no começo foi uma confusão'', mas, depois, tanto seus pais quanto a mãe da menor passaram a ajudar bastante.

Os pais dele fizeram uma casa recentemente, depois de retornarem de Lajeado, e lá foram reservados cômodos para o jovem casal.

Gabriel sabe que não pode contar só com o que ganha na sinaleira vendendo as rapaduras que a mãe faz, e resulta em R$ 50, ou R$ 100, ''se o dia for bom''.

Vende uma rapadura por R$ 4 ou 3 por R$ 10. Costuma chegar às 07h, fica até o meio-dia, vai para a escola, e retorna à tarde, para novo turno, das 17h às 20h.

Está procurando emprego. Admite que fica um pouco nervoso com a responsabilidade de ter sua própria família e com os deveres a partir do nascimento do primeiro filho. ''É tudo novo''.

Torce ser chamado para algum dos lugares onde deixou currículo nos últimos dias.

''É baixar a cabeça e trabalhar, o que aparecer, agarra firme com as duas mãos''.

 


(Fotos Grupo Gazeta / Ana Maria Leal e Marcelo Toledo).


Publicado por: Ana Maria Leal E-mail: anamaria@gazeta670.com.br
Compartilhe esta notícia em suas redes sociais