Geral

Moradores de Carazinho repercutem em redes sociais problemas com animais na queima de fogos na virada

Jornalista Gazeta
Janeiro 04 / 2019

Foram inúmeras as postagens desde o último dia do ano de pessoas que perderam os animais de estimação, principalmente cães, devido ao barulho dos fogos de artifício tradicionalmente utilizados na virada do ano. Postagens como essas que foram reproduzidas aqui circularam tanto no Facebook (Carazinho Depressão) como em outros, informando sumiço de animais e pedindo ajuda para que fossem localizados.

Houve casos de morte por atropelamento de cães que fugiram assustados com o barulho, e há pessoas que até hoje ainda não conseguiram encontrar seu cão ou gato.

Conforme algumas postagens há questionamento sobre ser providenciada através de lei a proibição desse tipo de fogos com barulho, a exemplo de outras cidades, incluindo no Rio Grande do Sul, como Porto Alegre, onde neste ano ocorreu a queima de fogos silenciosa, sem utilização das baterias de tiro, que causam os estouros. Assim, a barulheira da queima de fogos que assusta animais e perturba quem precisa descansar foi substituída apenas pelo ruídos de propulsão do dispositivo.

Outra cidade, Santa Maria, teve projeto neste sentido aprovado pela câmara de vereadores, e este foi o último ano com barulho na virada. A lei proíbe o comércio, manuseio, uso, queima e soltura de fogos de artifício que produzam barulho, e tem por objetivo ''minimizar os problemas causados pelo forte estrondo para pessoas, que podem chegar a ter taquicardia, e a animais, que têm a audição mais sensível que os humanos''. Alguns animais acabam até se enforcando, pois são colocados na coleira justamente para que não fujam, mas no desespero, o uso da coleira termina com essa consequência.


Outros estados

Também outros estados brasileiros estão atentos à questão. Neste fim de ano em Florianópolis, pensando no prejuízo às pessoas com autismo e animais em geral, houve mudanças na comemoração com um modelo pirotécnico silencioso e um show de águas dançantes. Conforme a prefeitura da cidade ''havia um pedido das pessoas sobre o estampido dos fogos em relação aos cachorros, que ficam alvoroçados, sobre as crianças com autismo, inclusive com alguns vídeos enviados para as autoridades mostrando que elas ficam muito agitadas com o barulho''.

Nesta virada do ano em São Paulo, a tradicional festa na Avenida Paulista reuniu mais de um milhão de pessoas no primeiro réveillon com os fogos de artifício silenciosos em espetáculo de luzes e cores que durou aproximadamente 15 minutos. Em maio, o prefeito de São Paulo Bruno Covas sancionou o projeto de lei que proíbe soltar fogos de artifício barulhentos dentro do município de São Paulo.


Carazinho


Franciele Goularte Leite, presidente do Conselho Municipal de Bem Estar Animal (Combea) de Carazinho, diz que realmente foram muitos os pedidos de ajuda neste início de ano por parte das pessoas que procuravam pelos animais de estimação que fugiram com o barulho.

Em Carazinho já foi apresentado um projeto neste sentido no ano de 2017, mas retirado pelo autor, o vereador João Pedro Albuquerque de Azevedo (PSDB) ao constatar que não teria o apoio dos demais vereadores para aprovação.

Segundo João Pedro, desde 2017, quando apresentado o projeto que proibia a venda e uso de rojões e fogos com barulho, repassando uma tendência que se vê em diversas cidades no país afora, a ideia sempre foi mais conscientizar do que proibir. ''Vínhamos de um período de fim de ano e até de uma eleição onde, em carreatas, o uso dos fogos havia causado muita dor a famílias pela perda dos seus animais, além de todo o mal-estar gerado a pessoas doentes, inclusive hospitalizadas. Recebi um apoio bastante grande das pessoas, mas percebi que muitos ainda viam a situação como uma bobagem. E para uma lei dessas funcionar, precisa, acima de tudo, da compreensão das pessoas sobre os valores que estão em jogo. Será que a felicidade de um momento de celebração depende tanto de um estouro de rojão? Será que o prejuízo de não estourar um foguete é maior do que a ainda que hipotética possibilidade de um idoso, criança, autista sofrer danos à sua saúde? Ou de alguém perder o seu animal de estimação por fuga, parada cardíaca, atropelamento em decorrência dos efeitos dos estampidos? Eu, particularmente, sempre achei legal o uso dos foguetes, principalmente nas brincadeiras que envolviam as rivalidades no futebol. Mas ao me dar conta das consequências tristes que poderiam causar, entendi que a minha diversão definitivamente não estava acima dessas questões. Analisando, hoje, não sei se estamos preparados para a proibição, mas com a comoção gerada neste fim e início de ano com os diversos relatos nas redes sociais, entendo que o tema deva voltar à pauta de uma forma intermediária, como, por exemplo, criando mecanismos de uso controlado dos fogos ou de mais fácil identificação e responsabilização de quem venha causar prejuízos a outras pessoas''.

Ainda, segundo ele, ''mas seja qualquer for a definição, entendo que deva ser ouvida a comunidade como um todo antes de tudo, para construir um caminho democrático e mais eficaz''.


Lei já está sancionada em Passo Fundo

Em Passo Fundo o site do Jornal O Nacional divulga que o prefeito Luciano Azevedo anunciou nessa quinta-feira (03) que encaminhará à câmara de vereadores, no início do ano legislativo, projeto de lei que proíbe o comércio e o uso de fogos de artifício que produzem estampido e causam perturbação e desconforto em pessoas idosas e enfermas, crianças e animais. Para Luciano ''o projeto tem objetivo de prevenir riscos à saúde e à integridade física tanto de quem faz uso do material quanto da população, especialmente idosos e crianças, além dos animais, que ficam com medo e fogem - e muitas vezes se machucam e até morrem. Os fogos silenciosos e coloridos, além de não causar dano, tornam as festividades mais bonitas e visualmente mais coloridas''.

A solicitação para criação da lei, conforme O Nacional, é resultado de diversos pedidos da comunidade, preocupada com o incômodo causado pelo barulho dos fogos, acidentes e danos às pessoas e aos animais. Também é uma sugestão do vereador Rafael Colussi (DEM), ainda do ano de 2017. ''Além da preocupação com os animais, que sofrem por ter a audição mais sensível, os fogos com barulho podem causar acidentes no seu manuseio e danos e incômodos para as pessoas idosas e doentes que estejam acamadas em casa ou nos hospitais e clínicas de nossa cidade. É uma vitória de todos, que terão mais qualidade e bem-estar, com mais brilho e colorido nas festividades'', salientou o Rafael Colussi.

Conforme o projeto, fica proibido em Passo Fundo o comércio (venda), manuseio, utilização, queima e soltura de fogos de artifício e artefatos pirotécnicos que produza ruídos sonoros. Será permitido o uso de fogos de artifício silenciosos e coloridos nas atividades autorizadas e particulares. O descumprimento da lei caberá multa ao infrator, que será revertida ao Fundo do Bem-Estar Animal de Passo Fundo.

 

Fogos silenciosos

Artefatos que acionados, explodem iluminando o céu sem fazer barulho, já foram utilizados inclusive em dezembro de 2018 pelo Colégio Notre Dame em Passo Fundo no encerramento da Cantata Natalina, atendendo a pedidos da comunidade da área central.


(Fotos: montagens com posts de redes sociais).

 

Compartilhe esta notícia em suas redes sociais