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Comoção e revolta no sepultamento de jovens de Carazinho vítimas de soterramento em Tupanciretã

Ana Maria Leal
Fevereiro 11 / 2018

Foram sepultados na manhã deste domingo (11) no cemitério municipal de Carazinho os jovens Anderson Ricardo Leite, 22 anos, e Ronaldo de Moraes Esterys, 29. Eles foram vítimas do soterramento ocorrido na sexta-feira (09) na cidade de Tupanciretã, quando trabalhavam na escavação de um silo numa propriedade do interior.

O velório de ambos foi nas capelas A e B da Funerária Adam do bairro Glória, marcado não só pela comoção mas por revolta de alguns familiares.

Um deles, Anderson, deixa a filha de 1 ano e meio. O outro, Ronaldo, havia planejado mudar com a família para o Maranhão. A esposa, inclusive, já havia ido para lá com a filha do casal, de 10 anos, e nem conseguiu retornar a tempo do sepultamento.

 

Revolta

Silvia Margarete, viúva de Anderson, contou para a Rádio Gazeta que os contratantes não prestaram o auxílio que seria apropriado, negando informações quando já sabiam que o jovem estava morto, e inclusive no momento de escolher o caixão em que ele seria sepultado. ''Eu falei com ele de manhã, antes do horário que ele tomava o café, ele viu um vídeo da nossa bebê, e no horário combinado de falar de novo, meio-dia, ele não ligou. À uma hora mandei watts e ele não respondeu, só perto das 3 da tarde me ligaram, sendo que o acidente dizem que aconteceu às 9 e meia. Quem correu com tudo fui eu, e com a ajuda da minha patroa, a Drª Roselei Graebin, que ajudou até com o caixão''.

Anderson deixa a esposa com a filha de um ano e meio, e ainda três enteados, o mais velho de 18 anos, que já estava trabalhando com ele na mesma empresa de escavação.

 

Juntando dinheiro para uma vida nova

Valdir Bueno Esteryz, pai de Ronaldo, foi informado pela empresa para a qual o filho trabalhava sobre o acidente às 14h da sexta-feira. Viajou para Tupanciretã onde chegou às 18h. Já tinham terminado a busca pelos corpos, ele fez o reconhecimento e foi orientado a fazer o registro a ocorrência na delegacia de polícia da cidade. Depois, providenciou a remoção do corpo do filho para Carazinho. A esposa e a filha de Ronaldo não puderam se despedir dele porque não conseguiram voltar em tempo ao Rio Grande do Sul.

''É uma tragédia da vida. A esposa e a filha de 10 anos já estavam em São Luís, no Maranhão, eles iam embora, morar pra lá, ele estava dando uns dois meses de trabalho pra juntar dinheiro e ir também, ela nem conseguiu voltar porque tinha só um lugar no, vão chegar amanhã'', disse ele para a Rádio Gazeta


Versão da empresa

Segundo a viúva de Anderson os responsáveis pela empresa não estariam mais em Carazinho, mas serão procurados pela reportagem para sua versão dos fatos aqui relatados. 

No soterramento morreu também Luis Fernando Barden SIlva, de 26 anos, natural de Não-Me-Toque.


Publicado por: Ana Maria Leal E-mail: anamaria@gazeta670.com.br
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  • Féretro iniciou às 9h deste domingo (11)

  • Familiares e amigos das vítimas participaram

  • Velórios ocorreram nas capelas da Adam no bairro Glória

  • Corpos foram sepultados no cemitério municipal de Carazinho

  • Família de Ronaldo de Moraes Esterys (Fotos Grupo Gazeta/ Ana Maria Leal)

  • Anderson Ricardo Leite e Ronaldo de Moraes Esterys eram moradores de Carazinho (Reprodução Facebook)