Política

Está no MP denúncia sobre suspeita de corrupção praticada por advogado em Carazinho envolvendo o presidente da câmara

Ana Maria Leal
Agosto 10 / 2017

Até a tarde desta quinta-feira (10) o presidente da câmara de vereadores de Carazinho, Estevão De Loreno (PP) não havia atendido a solicitação da Rádio Gazeta AM para falar a respeito da intimidação que teria sofrido por parte de um advogado, que a princípio seria de Carazinho, e cujo fato diz estar comprovado através de gravações em seu telefone celular. 

O presidente tampouco encaminhou a grave denúncia para a Ordem dos Advogados do Brasil subseção de Carazinho, cujo presidente Tailor Agostini aguarda a representação para dar o devido encaminhamento, ou para o Ministério Público.


Ministério Público

Entretanto, a denúncia está no Ministério Público e foi protocolada pelo vereador João Pedro Albuquerque de Azevedo (PSDB), que explicou sua atitude. ''O objetivo é esclarecer alguns fatos publicados na coluna de quarta-feira (09) da jornalista Nadja Hartman no jornal Diário da Manhã, o fato de que o vereador Estevão De Loreno, presidente da câmara, teria recebido um telefonema de um advogado que ninguém sabe quem é, e conversei com a jornalista Nadja e ela disse que o presidente não autorizou que divulgasse o nome, conversei com ele, o presidente Estevão De Loreno e também não quis dizer o nome de quem teria contatado com ele supostamente para que fosse feito um acordo para abafar as denúncias que hoje estariam correndo dentro da câmara, uma contra o vereador Clayton Pereira e outra contra o Ezelino Ramos, diretor de expediente da câmara de vereadores, cargo de confiança do Estevão de Loreno''. 

Segundo João Pedro há questões na referida coluna que não são claras. ''Quem lê a coluna a tendência é compreender de que a minha denúncia em relação ao diretor de expediente foi feita com conluio, mancomunado com um advogado misterioso, que teria entrado em contato para que as duas denúncias caíssem por terra, e isso não aconteceu, muito pelo contrário! Tive acesso ao relatório da viagem que o diretor de expediente fez em março na sexta-feira passada (dia 04), justamente porque ele menciona na denúncia que ele protocolou contra o Clayton, e eu como membro do conselho de ética li e gerou suspeita. Solicitei o relatório para apurar o abuso dos valores das diárias porque temos batido que os valores de diárias são excessivo, ao pegar o relatório na integra observei diversas irregularidades, que levam não só ao valor excessivo mas como mau uso, concessão indevida, utilização indevida desses valores do município, da câmara de vereadores''. 

O vereador João Pedro também observa que na condição de advogado também se sentiu atingido. ''Quando teve essa menção na coluna do Diário da Manhã de que o advogado teria intimidado o presidente, consta logo em seguida que o presidente também teria uma gravação desse telefonema, e eu, como sou advogado, tenho um escritório de advocacia na cidade de Carazinho, me senti muito atingido, por dois lados, por ter sido o autor de denúncia contra o diretor de expediente, mas como também tenho colegas advogados dentro do escritório e todos se sentiram atingidos, pois o presidente Estevão De Loreno não deu nome de quem teria feito, ficou algo de que pode ser qualquer um, atinge toda a classe da advocacia, não é a toa que a própria OAB se manifestou para que seja identificado esse suposto advogado''.


Nome é ocultado pelo presidente

João Pedro diz que manteve contato com o vereador Estevão De Loreno e este se recusou a divulgar o nome do advogado. ''Como não tive sucesso na obtenção do nome de quem é esse advogado criminoso, corrupto, que teria pedido ao presidente que não divulgasse seu nome, fui ao Ministério Público e protocolei uma denúncia sobre tudo isso, relatando os fatos para que o Ministério Público apure se teve algum advogado que tenha entrado em contato telefônico com o vereador De Loreno e propondo esse acordo absurdo, repugnante abominável, de abafar denúncias. Já adianto que sou contra qualquer coisa neste sentido, a denúncia que fiz foi porque observei algumas irregularidades que precisam ser melhor apuradas, mas ao que tudo indica realmente houve mau uso de diárias, e não abro mão que isso vá adiante, não aceito negociata para beneficiar qualquer pessoa, e também para prejudicar qualquer outra pessoa, não aceito de jeito nenhum, se tem algo a que sou fiel é a minha consciência, meus valores, por isso, realmente, admito, fiquei enojado pelo teor da coluna da jornalista, sugere que a gente tivesse envolvimento nesse sentido, e mais enojado ainda se teve um advogado que teve esse contato com o vereador Estevão De Loreno, pois isso  seria um ato de corrupção absurdo. Por isso está protocolado no Ministério Público esse fato com diversos documentos, para que a promotoria investigue e apure se há o advogado e houve esse fato, essa tentativa de intimidação do presidente Estevão De Loreno, até porque, se não ocorreu isso, estamos diante de fato tão grave quanto, que seria um blefe para tentar prejudicar outras pessoas politicamente e profissionalmente. Espero que não tenha sido dessa forma, acredito que o vereador Estevão De Loreno tenha a gravação de um advogado sujo, corrupto, que tentou negociar um abafa dessas denúncias, mas como agora ainda não foi denunciado ninguém, não foi revelado nome pelo vereador, que ele faça, ou as pessoas começam a pensar que não existe nenhum advogado, que foi tudo uma invenção e estamos diante de uma quebra ética muito preocupante''.


Gravação

No contato do vereador João Pedro com a jornalista Nadja Hartmann ela deu a entender que não ouviu o conteúdo da gravação contendo a intimidação do advogado ao presidente da câmara.  ''Ela deu a entender que não ouviu o áudio, mas que jornalistas teriam ouvido, não que ela ouviu, é algo bastante nebuloso e angustiante, então que abra esse áudio e divulgue nome para que possamos tomar as medidas cabíveis, um processo ético e criminal dentro da OAB, pois é algo muito grave''. 


Em tempo

O vereador acrescentou na manhã desta sexta-feira (11) para a reportagem da Rádio Gazeta que recebeu uma mensagem da jornalista Nadja Hartmann atualizando o assunto com a seguinte informação: ela ouviu o conteúdo da gravação na qual o presidente da câmara sentiu que foi intimidado. 




Publicado por: Ana Maria Leal E-mail: anamaria@gazeta670.com.br
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