Saúde

Psicóloga fala na Gazeta sobre como redes sociais afetam quem sofre de depressão

Jornalista Gazeta
Julho 19 / 2019

A psicóloga Flavia Gai Soares participou do programa Lado a Lado Com a Notícia desta quinta-feira (18) falando sobre depressão e suicídio, orientando famílias que possam estar passando por esse tipo de situação a identificar sinais e encaminhar a pessoa que esteja precisando de ajuda ao devido atendimento, que pode ser também através da rede pública de saúde, procurando um ESF da cidade para que faça o encaminhamento.

A abordagem da profissional partiu de caso recente de ampla divulgação no qual a jovem Aline Araújo, blogueira, 24 anos, estudante de psicologia, tirou a própria vida em São Paulo se jogando do nono andar do prédio onde morava após sofrer uma desilusão amorosa, lutar desde a adolescência contra a depressão, e enfrentar um julgamento do seu comportamento nas redes sociais. Após o então noivo desistir do casamento na véspera, Aline decidiu continuar com a festa de casamento, anunciando que estava casando consigo mesma, e a repercussão da atitude nas redes sociais foi condenada por muitos. De 26 mil seguidores no instagram onde ela falava de depressão e buscava ajudar outras pessoas que tivessem esse problema, ela passou a ter 400 mil no dia seguinte ao casamento.

''Se ela tinha 26 mil pessoas acompanhando enquanto falava de depressão e 400 mil após ter vivido o drama familiar simboliza o quanto as pessoas se interessam pela vida alheia  e principalmente por questões de sofrimento, fracasso alheio, há um sentimento de sadismo, satisfação em ver o sofrimento e dor alheia. Por que antes, quando falava sobre depressão não tinha gerado esse interesse'' no momento em que há o sofrimento as pessoas se interessam muito mais, aí está o problema, as pessoas se acham no direito, nas redes sociais, de julgar, fazer acusações'', observa a psicóloga Flávia.

Ela diz, ainda, que no nosso dia-a-dia vemos pessoas minimizando quem está em depressão, chamando de preguiçoso, de alguém que simplesmente não quer trabalhar, ou está fingindo.

''Isso não está tão distante da nossa realidade, dados de 2017 do Brasil mostram que uma pessoa a cada 45 minutos comente suicídio, é um problema de saúde pública, não simplesmente pessoal, a gente tem que pensar na questão do suicídio e depressão como algo que está no nosso dia-a-dia, no das famílias''.

Conforme Flávia há ocasiões, como na da jovem paulista, em que a pessoa fala, avisa que vai tirar a própria vida, mas muitas vezes a família não acredita que aquilo vai acontecer.

Por isso, chama a atenção para alguns sinais de alerta quando a pessoa não fala abertamente.

''São sinais variados e multifatoriais como depressão, pois é uma alteração química biológica e hormonal do corpo, mas vem de questões psicológicas e emocionais, em alguns, há insônia, e a pessoa não percebe, acha que é stress, ou há a vontade de querer dormir muito, demonstra indisposição, falta ou excesso de apetite, uns deixam de comer, outros passam a comer muito mais quanto está atrelado a ansiedade, há apatia, falta de motivação, desejo, pela vida, a pessoa não se sente interessada por nada do que gostava antes, ou pessoa que nunca para quieta, preenche todos as horas do dia para não se conectar consigo mesmo, se encontrar, pode ser sinal de que pessoa não está bem. Pessoas que tem muita atividade podem estar enfrentando depressão. Pode-se achar que alguém nunca vai ter depressão porque está muito ocupado, mas às vezes a gente está muito enganado''.

O programa com Flávia pode ser revisto na íntegra no facebook.com/portalgazetacarazinho



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