Coluna Circulando e a política atual.

Com imagem, sim.

Ana Maria Leal
Novembro 25/ 2021

O secretário Geral de Governo do município de Carazinho me procurou para falar sobre o adiamento da instalação do sistema que vai permitir a transmissão em imagens das sessões da câmara de vereadores.

Como consta na coluna anterior, nesse sentido, a vontade dele era uma, mas a vontade da presidente que o sucedeu foi outra.

Prevalece a vontade de quem tem a caneta na mão.

Simples assim

Porém, Tenente Costa fez algumas colocações que considero interessante reproduzir aqui.

Como não é de 'sabonetar', foi direto ao ponto:

''Tu sabe que verba para transformar o sistema tem ... A diferença é que eu fazia as coisas sem me preocupar em devolver dinheiro para o executivo no final do ano''.

Para quem pode não compreender essa ''devolução'', é algo que ele abordou em várias outras ocasiões e funciona da seguinte forma: a câmara recebe ''x'' de valores repassados pela prefeitura conforme orçamento anual, no qual estão previstas todas as despesas, gastos, etc.

Há políticos que orçam valores maiores do que realmente vão usar. Desta forma, no final da sua gestão à frente do legislativo ''sobra'' algum recurso.

Essa sobra rende entrevistas, declarações públicas em redes sociais, ou no próprio plenário do quanto fez uma boa gestão economizando o dinheiro público que será ''devolvido'', pois vai retornar ao cofre da prefeitura.

Trocando em miúdos, é isso.

Uma sobra que não é sobra.

Costa sempre defendeu que o orçamento deve ser o real, sem esse jogo de vaidades de quem economiza mais, quem economiza menos, pois vale apenas é para ficar bem na foto com os eleitores.

Ainda sobre a defesa da instalação das câmeras, ele afirmou: ''Minha vontade era tornar as sessões mais abertas e com maior participação do público em geral. Ficaria bom até para a imprensa''.

Na sua opinião, nesse adiamento pode ter prevalecido a influência de algum outro parlamentar sobre a vontade da presidente: ''Até acho que a Janete queria dar prosseguimento, mas com certeza algum colega opinou, kkk''.

Colegas seriam, entenda-se, os vereadores da mesa diretora da casa, pois são eles que decidem o que é feito quanto aos recursos, eles que "mandam". 

Aos demais, que não são da base aliada ao governo, cabe apenas observar.  

Sem dar "pitaco" nisso ou aquilo.

Pode ser, sim, que nem todos os vereadores - da mesa diretora - achem que vale a pena transmitir imagens da sessão.

Podem achar que será um investimento muito alto - a informação que obtive é de que se for terceirizado com uma empresa fornecendo todas as câmeras e equipamentos afins e efetuando a transmissão custaria de R$ 3 a R$ 4 mil por mês (extraoficialmente). 

Podem achar que ninguém vai querer acompanhar as sessões.

Porem achar que tem momentos das sessões que não devem ser ''vistos''.

Podem achar que o dinheiro deve ser investido em outro lugar.

Podem achar que transmitir em áudio já está de bom tamanho.

Enfim. Sobram achismos.

Mas, por outro lado, teve quem conversasse comigo a respeito com uma certeza: de que isso não vai acontecer nos próximos três anos. 




(Foto: Arquivo Grupo Gazeta).

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