Coluna Circulando e a política atual.

Lista do Auxílio Emergencial.

Ana Maria Leal
Novembro 09/ 2020

Na lista produzida pelo TCU (Tribunal de Contas da União) que contém os candidatos nas eleições municipais deste ano que declararam patrimônio igual ou superior a R$ 300 mil e que receberam alguma parcela do auxílio emergencial até julho de 2020, há mais de 10 mil nomes de todo o País, e quatro de Carazinho.

São integrantes das nominatas que disputam cargos na câmara de vereadores.

A lista foi tornada pública e pode ser conferida integralmente no próprio site do TCU.

São eles Carlos Roberto de Castro Silva (MDB), Josir Antunes da Silva (Jota) (MDB), Adair Amaral da Silva (PSB) e Olimar Antonio Braganholo (PRTB).

Procurei nesta manhã de terça-feira (10) os presidentes desses três partidos para saber a sua posição a respeito, e pedi o telefone de contato desses candidatos para que eu pudesse falar pessoalmente com cada um, de maneira que todos tivessem a oportunidade de dar aqui sua versão sobre o fato.

O que me disseram os presidentes:

-Jorge Dutra (MDB): ''Soube agora por você. O Jota tem uma empresa, deve ter sido quando foi fechado alguns estabelecimentos, creio eu. Sobre Carlos não tenho nenhuma informação para te da dar.  Mas acho importante que você esclarece com eles''.

-Felipe Sálvia (PSB) : ''Olha, Ana, eu não sei deste assunto deixa eu me inteirar daí te aviso, ok''.

- Renato Weber (PRTB): ''Cara Ana Maria. Estávamos vendo uns outros assuntos aqui, urgentes também. Desculpe pela demora. Tomamos conhecimento disto ontem, da divulgação da lista, pelo TCU, dos que são candidatos, com patrimônio acima de 300 mil, e que receberam o auxílio emergencial. Possivelmente o TCU já está com o procedimento aberto, como nós mesmos já abrimos expediente para acompanhamento do resultado da apuração pelo tribunal e encaminhamento dentro do partido, para tomar os procedimentos cabíveis. E logicamente não concordamos. Uma vez que o auxílio visava pessoas que, durante a pandemia, ficaram em necessidade e ou tiveram suas receitas drasticamente reduzidas, dentro de um patamar de patrimônio que especifica. Em conversa com o mesmo, este relatou não ter sido ele quem fez pedido, ficando inclusive muito surpreso com a informação. Ficou de verificar a questão com urgência. O que é importante ressaltar é o cuidado neste período, para que dos 10.690, conforme o relatório do TCU, sejam responsabilizados os que praticaram qualquer tipo de fraude e sua rigorosa responsabilização. Por outro lado, temos que ter cuidado para não expor pessoas, que eventualmente não tinham conhecimento do cadastro, e sem possibilidade de defesa, serem condenados sumariamente. Até por que não dá pra imaginar que as pessoas que fizeram o cadastramento de forma irregular, sabendo que o TCU faria o cruzamento, e chegaria até eles, não corressem para devolver o dinheiro, pois foi amplamente divulgado. Então, os rigores da lei, para os fraudadores, mas sob a luz do direito de defesa e explicação''.

O que me disseram os candidatos cujos partidos me repassaram seu telefone de contato:

- Carlos Castro (MDB): Atendeu a ligação, disse que estava dirigindo, e que retornaria. Não retornou o telefonema.

- Josir Antunes da Silva (Jota) (MDB): Atendeu a ligação, disse que estava dirigindo, que ia parar e responder e prestou as informações: ''Sim, tenho uma microempresa, uma MEI, meu contador solicitou pra mim pra não quebrar, tenho conta de mais de mil reais por dia, é um direito, na verdade. Desde a oficina, peguei 5 funcionários, me botaram na justiça, trabalhava uma semana, e botou na justiça, se não fosse esse detalhezinho (Auxílio) eu já não existia mais, tô devendo no banco, se não fosse tinha quebrado, nessa semana veio mais uma cobrança de R$ 6 mil na justiça do trabalho, todo mundo que fui ajudar me ferrou. Tenho uma MEI, todo mundo que tem MEI o governo se prontificou e ajudou, eu preciso, foi muito importante, se não fosse isso eu não estava vivo''.

- Adair Amaral da Silva (PSB): Atendeu a ligação e respondeu: ''Quero deixar bem claro duas coisas, primeiro, sou advogado, com a crise de pandemia, o primeiro setor que parou foi a justiça, de certa forma ocasionou pra mim uma tremenda perda e necessidade de ter acesso ao benefício, me cadastrei, estava dentro dos parâmetros exigidos pela lei, e fui beneficiado, pela necessidade que eu tinha. O fato de ser advogado não significa que você não está suscetível a passar por dificuldades, e como o poder judiciário foi o primeiro a parar, de certa forma me ocasionou problemas financeiros, me enquadrei naquilo que o governo estava oferecendo, solicitei e fui atendido. É importante dizer com relação ao patrimônio, R$ 300 mil, é uma casa que vale R$ 300 mil e está financiada mais da metade, meu patrimônio está declarado, que é o valor do imóvel, mas não está quitado, está financiado, está com mais de 50% do valor em aberto. Realmente necessitei, comprovo que os gastos que eu fiz da minha campanha nenhum centavo é de recursos próprios, porque não tenho, meus gastos foram doações, porque se necessitei do Auxilio Emergencial não teria também como manter minha campanha por minha conta e risco, se estava usando auxilio emergencial para meu sustento''.

- Olimar Antonio Braganholo (PRTB). O PRTB apenas enviou o texto reproduzido acima, mas, até este momento da publicação, não repassou seu número de telefone como solicitado ainda pela manhã para que eu pudesse manter contato. 

EM TEMPO: Olimar me telefonou, está em viagem, e esclareceu o assunto, confirmando o que disse o presidente do PRTB que não solicitou nem recebeu o Auxílio Emergencial. 

Será publicado aqui amanhã.








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