Futebol Feminino

Falta de apoio e oportunidade, as mulheres ainda são minorias no comando técnico dos times da Série A1

Kaliandra Alves Dias
Setembro 05/ 2020

Neste sábado (5), Ferroviária e Grêmio irão se enfrentar pela primeira vez na elite do futebol brasileiro feminino. Em partida válida pela 7ª rodada do Brasileirão Série A1, o duelo entre os times também será o primeiro encontro das duas únicas mulheres que estão no comando técnico dos 16 times que disputam a competição. Gaúchas, Tatiele Silveira e Patrícia Gusmão assumiram os seus respectivos times na temporada do ano passado. 

Em Araraquara, interior de São Paulo, Tati escreveu o seu nome na história do futebol feminino. Além de ter conquistado o seu primeiro título nacional na carreira, a porto-alegrense também se tornou a primeira mulher a conquistar o Brasileirão como treinadora. Do outro lado, Patrícia Gusmão - que retornou ao Tricolor no início da temporada de 2019 e conseguiu o acesso à elite do futebol nacional. Além disso, a treinadora é uma antiga conhecida da casa, tendo a sua primeira passagem no comando técnico em 2017.

A profissionalização da modalidade e a falta de oportunidade

Entre as conquistas recentes do futebol feminino está o registro profissional no regime celetista. Apesar disto, são poucos clubes que têm o privilégio de assinar as carteiras de suas atletas. Dos 16 times da elite, apenas 10 garantiram a profissionalização da modalidade. E quando os olhos se voltam as comissões técnicas, as mulheres representam pouco mais de 10% de todos os profissionais que estão na elite do futebol feminino nacional.

Na Ferroviária, dos 12 profissionais integram a comissão técnica sete são mulheres: Tatiele Silveira (treinadora), Roberta Batista (auxiliar técnica), Vanessa Cataneo (treinadora de goleiras), Annie Kopanakis (psicóloga), Carol Melo (coordenadora), Rafaela Esteves (supervisora) e Joyce Brandão (coordenadora de captação de base). No Tricolor, cinco mulheres compõe a comissão formada por oito profissionais são elas: Patrícia Gusmão (treinadora), Letícia Ribas (fisioterapeuta), Carin Soares (massagista), Karla Loureiro (preparadora física) e Sol Farias (treinadora de goleiras). 

Mas por quais motivos as mulheres ainda são minorias na modalidade? Um dos principais empecilhos para a modalidade estar “estagnada” é a falta de oportunidade e confiança nos trabalhos realizados pelas profissionais. Apesar dos cursos disponibilizados pela CBF e da Federação Paulista de Futebol (FPF), terem a presença feminina, alguns clubes ainda fecham as portas aos trabalhos que vêm sendo realizados. Muitos também acabam não se importando com a ideia de que o futebol feminino deve ser liderado por mulheres que vivenciam a modalidade. 


(Foto: Jonatan Dutra / Ferroviária)




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