Futebol Feminino

A (r)evolução do futebol feminino na CBF

Kaliandra Alves Dias
Setembro 03/ 2020

Legenda da foto: Da esquerda para direita: Duda Luizelli (coordenadora de seleções femininas), Pia Sundhage (técnica da Seleção principal), Rogério Caboclo (presidente da CBF) e Aline Pellegrino (coordenadora de competições)


Dos picadeiros de circos brasileiros a proibição instituída pelo governo de Getúlio Vargas. A história do futebol feminino no país ainda colhe as consequências do decreto-lei que teve duração de 1941 a 1979, onde as mulheres foram proibidas de jogar futebol, já que o exercício das atividades era incompatível com a natureza feminina, onde a feminilidade poderia ser “deixada” de lado. 

A luta que dura há 41 anos, teve um momento histórico na terça-feira, 2 de setembro de 2020. Quando o presidente da CBF, Rogério Caboclo, anunciou as primeiras mulheres a assumirem cargos de gestão na entidade: a gaúcha Duda Luizelli é a nova coordenadora das seleções femininas, ocupando o cargo deixado por Marco Aurélio Cunha, em março deste ano. Já a paulista, Aline Pellegrino será a coordenadora de competições femininas e terá o desafio de ajustar o calendário brasileiro. 

Outro passo importante dado pela entidade foi a equiparação dos pagamentos de diárias e premiações feitos aos jogadores e as jogadoras das Seleções Brasileiras principais. Em seu discurso, Caboclo destacou que "aquilo que os homens receberão na próxima Copa do Mundo será proporcionalmente igual ao que é proposto pela FIFA. Não há mais diferença de gênero, pois a CBF está tratando de forma igual homens e mulheres”.

Apesar das conquistas recentes, diversos clubes femininos no país enfrentam uma situação de falta de apoio, incentivo e descaso da entidade. Durante a pandemia, dois clubes que disputam a Série A1 da competição precisaram realizar vaquinhas solidárias para poder manter os pagamentos das atletas e comissão técnica em dia.

Quem são as mulheres que assumem os cargos na CBF

Duda Luizelli tem uma trajetória vitoriosa na coordenação do futebol feminino do Internacional. No ano passado, as Gurias Coloradas conquistaram todos os títulos disputados nas categorias sub14, sub16 e sub18. Mas não para por aí, as Gurias Coloradas da categoria sub17 conquistou o Brasileirão – um dos títulos mais importantes. No profissional, as coloradas também faturaram o Campeonato Gaúcho, vencendo o seu rival por 4 a 2. 

A ex-capitã da Seleção Brasileira, Aline Pellegrino foi a responsável por transformar a modalidade na Federação Paulista de Futebol. Além de ajustar o calendário, Pelle como é carinhosamente conhecida, criou o primeiro estadual de base feminino, o Paulista sub17, além de ter realizado a maior peneira da federação para meninas. Neste ano, a final do Paulistão Feminino entre Corinthians e São Paulo, reuniu mais de 28 mil torcedores, que assistiram a final em Itaquera. 



(Foto: Lucas Figueiredo/CBF)




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