Coluna Circulando e a política atual.

Prefeitos desonestos?

Ana Maria Leal
Julho 28/ 2020

Ao fazer seu dever de casa durante a sessão desta semana enaltecendo a gestão do seu partido, o vereador Erlei Vieira aproveitou para atingir os gestores que antecederam o prefeito Milton no paço municipal.

E não foi pouca coisa, não.

Conforme Erlei, só agora a cidade tem um gestor público honesto.

O vereador contava que nos seus três mandatos jamais tinha visto tanta atenção de alguém para com a cidade e distritos, e nem tanta verba pública sendo destinada para Carazinho.

''Vocês tem que ir lá ver (em Pinheiro Marcado). Eu nunca vi. Antigamente recebiam vereadores e secretário e quase apanhavam... Hoje é tudo bem feito. E tem milhões e milhões vindo pra Carazinho, isso nunca veio pra Carazinho, isso é gestão, quero agradecer que veio milhões e milhões e caiu na mão de um gestor, porque antigamente entrava o dinheiro e vocês sabem pra onde é que ia, Carazinho de parabéns porque hoje tem um gestor honesto, não era como antigamente, que o dinheiro não aparecia, o cara pedia pra fazer uma rua e não tem dinheiro''.

O emedebista não detalhou "para onde ia" o dinheiro no passado.

Apesar da contextualização feita a partir da sua ótica sobre esses milhões e milhões, pode-se dizer que o Rio Grande do Sul está cheio de prefeitos honestos, afinal, estamos falando de recursos do governo federal destinados não exclusivamente para Carazinho, e em razão do combate ao coronavírus. Tanto para a infraestrutura das cidades como ações e contratações na saúde. 

E não milhões, mas bilhões, especificamente falando do nosso estado.

Fora os recursos extras anunciados pelo ministério da Saúde que, em maio, eram de R$ 79,4 milhões que ficaram com o estado e R$ 181,4 milhões foram repassados às prefeituras.

Na verdade meus cálculos estão desatualizados, fiz uma rápida busca nesses dados, mas apenas lembrar que diante da emergência em saúde pública devido ao coronavírus o ministério da saúde, desde o início da pandemia, repassou a estados e municípios quase R$ 10 bilhões.

Ao Rio Grande do Sul, o montante chega a R$ 730 milhões dos quais, conforme levantamento divulgado pela secretaria estadual da Saúde: R$ 539 milhões aos municípios gaúchos e R$ 193 milhões para o governo do estado.

Tem ainda os quase R$ 490 milhões do socorro financeiro da União a estados e municípios liberado em maio que integra o Programa Federativo de Enfrentamento ao coronavírus, em parcelas mensais, com R$ 20 bilhões diretamente aos municípios para uso livre, sendo para os municípios gaúchos R$ 1,3 bilhão.

Posso, sim, ter me equivocado em relacionar alguns desses números assim como podem estar faltando outros, mas o propósito foi situar que não é a sigla partidária ou característica pessoal dos administradores que definem, neste momento, para qual cidade irão os recursos, e sim um enfrentamento necessário para um vírus agressivo e mortal cuja cura ainda não existe.

Mas em algo o vereador Erlei tem razão: tanto dinheiro certamente estaria presente nos discursos políticos.

Por mais que o conteúdo não seja totalmente fiel à realidade.  

Nada mais natural em ano de eleições.





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