Coluna Circulando e a política atual.

Eleições em tempo de coronavírus.

Ana Maria Leal
Maio 07/ 2020

O consultor político, estrategista eleitoral e diretor no Rio Grande do Sul da Associação Brasileira de Consultores Políticos (Abcop), Paulo Rogério Di Vicenzi, falou em entrevista para o Lado a Lado Com a Notícia desta quinta-feira (07) sobre o diferencial nas eleições municipais 2020 em razão da pandemia do novo coronavírus.

Acredita que se houver alguma alteração no calendário eleitoral isso ocorra até o final de junho, podendo o TSE ''jogar as eleições para o final de outubro, ou novembro, no máximo dezembro, jamais as eleições não serão realizadas neste ano, a não ser que a situação da saúde se agrave e não possa haver aglomerações como em eleições, o que seria uma grande catástrofe''.

Como profissional de consultoria tem notado políticos agindo de formas diferentes:

''Alguns políticos estão encarando com seriedade, preocupados com a saúde e bem estar da população, mas tem quem está querendo tirar alguma vantagem, se aproveitando da situação''.

Quanto ao eleitor, tem como preocupação imediata a própria saúde, a cautela necessária para seu bem estar.

''A eleição não entrou na agenda do eleitor, ela envolve políticos, lideranças partidárias, no momento em que se costura alianças, no horizonte do eleitor isso é algo bastante distante,  e isso quando se fala em eleições municipais, quando iremos escolher o novo síndico da cidade, quem vai cuidar de nossas ruas e praças, iluminação. A partir do final de junho e começo de julho, quando se concretizam as convenções, o tema eleição passa a entrar mais fortemente na agenda dos eleitores, hoje é festival de manifestações através das mídias sociais, com endereço certo, ao governo federal, STF, nada associado ao processo de escolha dos nossos prefeitos''.

Di Vicenzi diz que uma das preocupações que tem notado nas lideranças políticas é quanto a montagem das nominatas para concorrer ao legislativo, em razão de que a grande novidade para essa eleição é a mudança em relação a candidaturas para vereadores, que não tem a possibilidade de coligações como nas últimas eleições, na proporcional. 

''Vários (partidos) estão com dificuldade de completar nominatas inteiras para as eleições, muitos partidos, até as últimas eleições habituados a compor uma aliança aproveitando carona de grandes puxadores de votos, que não existe mais nessa eleição, tem esse desafio nesse momento, que está gerando dor de cabeça: ter a quantidade necessária de bons candidatos para compor a totalidade do número exigido pela legislação para concorrer a vereador. Como é novidade, está exigindo muito esforço dos partidos, a própria definição dos candidatos para a majoritária está sendo deixada mais para a frente. O projeto de construção dessas alianças, estaria muito mais avançado, mas primeiro tem que resolver a questão dos vereadores, candidaturas ou alianças para a majoritária foram jogada mais para a frente''.

O que mais ele tem ouvido de seus clientes é sobre como agir nesse momento.

''Digo para todos que eleição trabalha uma matéria prima que é igual para todos: tempo. Quem souber melhor aproveitar chegará na campanha melhor do que quem não aproveita o tempo. Como consultor tenho como referência o calendário eleitoral normal que foi estabelecido, temos que aguardar a realidade que se apresentar com o coronavírus no inverno, pode ser que o TSE determine mudança. Eu digo às lideranças políticas que aproveitem o tempo, não fiquem acomodados esperando  que a situação se normalize para buscar alianças partidárias, ou nomes para quem vai concorrer a vereador ou prefeito, os contatos pessoais estão dificultados, pelo afastamento social, não tem tanta intensidade de contatos físicos, mas não há nada que impede estar presente nas redes sociais, que use o telefone, faça reuniões virtuais. O que de bom a pandemia trouxe foi a aceleração de outros mecanismos, não só o contato pessoal''.



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