Coluna Circulando e a política atual.

Precisamos de tantos políticos?

Ana Maria Leal
Novembro 07/ 2019

A fusão de municípios com menos de 5 mil habitantes e com arrecadação própria menor que 10% da receita total, ou seja, sem sustentabilidade financeira mas que precisam manter uma máquina de cargos e salários significativa com prefeitura, secretarias e câmara de vereadores, já foi abordada por um carazinhense meses antes de se tornar proposta de governo divulgada nesta semana.

Foi Piero Pauletto da Costa, representante do Partido Novo em Carazinho que em 28 de abril deste ano propôs uma reflexão sobre termos uma prefeitura, câmara e vereadores em cada bairro, e se aumentar o número de políticos melhora ou piora a nossa vida.



Pois ele participou do Lado a Lado nesta quinta-feira (07) e teve a oportunidade de ampliar essa abordagem e defender a posição de que todos precisamos pensar a respeito pois em determinadas análises, em municípios pequenos, a proporção é maior de políticos por habitantes.

''Tem municípios que não tem arrecadação de impostos suficientes para pagar salário de prefeito, secretário e vereadores, em que a arrecadação do município em si é de mais ou menos 10% do custo da máquina. Acaba sendo um número maior de políticos por habitante, uma máquina que é tão ineficaz, que funciona tão mal, acaba inflada, maior. Em 1980, desde a Constituição, foram criados 1.600 novos municípios que hoje tem 2, 3, 5 mil habitantes. Não é extinção, mas voltar a fazer parte do município de antes da emancipação''.

No levantamento que fez sobre a região de Carazinho Piero cita Almirante Tamandaré do Sul, com cerca de 2 mil habitantes, que pertencia a Carazinho, e com uma arrecadação de menos de 10%.

''Não significa uma cidade que não vai ter alguém para cuidar da manutenção das ruas, o seu posto de saúde, mas a parte burocrática, prefeito, vereadores, assessores, que lá custa, a câmara de vereadores, R$ 600 mil por ano. Pode parecer algo aparentemente negativo para os municípios pequenos, mas pelo contrário, vai estar diminuindo o tamanho do estado, diminuindo aquela mordida de impostos que a gente toma, porque boa parte vai só para essa parte burocrática''.

Ao questionar a necessidade de tantos políticos ele cita as câmaras de vereadores e quantos dos projetos apresentados realmente trazem mudança na vida do cidadão.

''Uma boa parte dos projetos não ajuda, mas atrapalha. Numa comparação em dois municípios pelo Brasil o percentual de nomes de rua, títulos, projetos que nãos servem para nada. Palmas, no Tocantins tem 85% dos projetos como nomes de ruas e entrega de títulos. São Paulo, 70%. Título serve para o vereador fazer média com alguém que muitas vezes ajudou na sua campanha, cidadão emérito, honorário, não quer dizer que algumas pessoas dessas não mereçam, mas aumentando os títulos honoríficos os vereadores indicam pessoas porque ajudaram na campanha. Veja o quanto vale uma câmara, vale a pena custar tanto para projetos inúteis?''.

Segundo ele valeria a pena as pessoas começarem a pensar se com muito menos políticos seria suficiente, e inclusive Carazinho.

''Temos 13 vereadores, não seriam suficientes 9 aqui? porque tudo isso é aumento de burocracia e de políticos em nossa cidade, estados e nação, que não significam aumento de qualidade, no Brasil, 513 deputados e 81 senadores, será que com 2/3 disso não seria suficiente? e adianta 13 vereadores, 500 deputados, se a gente votar mal? a questão mais importante é a qualidade do voto, e o número de representantes quanto menor possível, melhor para nós, que a máquina será menos inchada, nossos impostos respeitados e nosso bolso também, porque a grana que custeia essa máquina violenta, o congresso nacional, por exemplo, consome R$ 29 milhões por dia, pensa no tamanho da máquina pública, no fundo o estado brasileiro hoje mais atrapalha do que nos ajuda''.

Com os dados na ponta do lápis, ele informou que a eliminação de cargos no Brasil se a população - que será consultada a respeito - concordar, será de quase 20 mil cargos a menos, e no Rio Grande do Sul, das 497 cidades, 226 se enquadram no plano.

''A receita desses micro municípios vem de repasses do governo federal e estadual, todo mundo sustenta isso, será que não iriam querer diminuir 20 mil cargos, será que numa cidade de 2 mil pessoas faz falta prefeito e vereadores, será que uma cidade que administra 60 mil habitantes, não pode administrar mais 2 mil?''.

Vale uma ótima reflexão!



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