Tradicionalismo.

Por qual razão cultivamos os gaúchos

Adari Ecker
Novembro 05/ 2019

A tradição do gaúcho surgiu como forma de afirmação cultural, filosófica e nacionalista de parte do povo que viveu excluído no sul do continente americano. 

Abandonados à própria sorte esses homens e mulheres buscaram forjar uma identidade e forma de viver distante daquelas que viviam os europeus.

O gaúcho passou a viver livre, não seguindo regras de conduta, não obedecendo ordens e nem reconhecendo superiores. 

O gaúcho vivia a liberdade na sua plenitude.

O Primeiro registro sobre o gaúcho ocorreu no primeiro quartel do século XVIII, quando alguns historiadores identificaram e registraram a presença dos gaúchos no pampa. 

Mas foi por volta de 1760, eles surgiram oficialmente para a história na banda oriental (serras de Maldonado e Departamento de Treinta y Tres, hoje no Uruguai) com o nome de gaudérios e gaúchos. 

Em 1766, Bougainville (navegador e historiador francês) registrou:

 

?Formou-se, desde alguns anos atrás, no norte do rio da Prata, uma tribo de cavaleiros que poderá converter-se em perigo para os espanhóis se não forem tomadas medidas urgentes para sua destruição. Seu número aumentou em virtude das mulheres tomadas dos índios e, começaram uma raça que vive de pilhagem. Se afirma que eles passam de seiscentos?. 


A constituição étnica dos gaúchos registrados por Bougainville era de portugueses e espanhóis desertores, náufragos capturados pelos índios, negros escravos fugidos das fazendas e índios do pampa. 

Da Comissão de demarcação da fronteira, estabelecida pelo Tratado de Santo Idelfonso, firmado em 1777, fazia parte o Doutor José Saldanha, que registrou pela primeira vez num documento português, referências sobre o Gauche, homens do campo que matavam o gado alçado ou selvagem, também chamado de ?chimarrão?, tirando-lhe o couro e vendendo-o depois. 

Se observa que o gaúcho é o resultado do cruzamento de raças europeias, negras e índios. Do resultando desses cruzamentos surgiu um ser apto as lides campeiras e guerreiras. 

Esses homens se deslocava na campanha do Pampa com desenvoltura e livre de ritos sociais.

Embora a evolução atual, o espírito do gaúcho continua teimosamente a viver na alma e no inconsciente de grande parte da nossa população.



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