Coluna Circulando e a política atual.

Passando a limpo.

Ana Maria Leal
Setembro 16/ 2019

Algumas situações se sobrepuseram aos projetos na sessão desta segunda-feira (16) na câmara de Carazinho.

A primeira delas o fato do sempre diplomático Tenente Costa (PP) levar a máquina de lavar para a sessão. Com o cesto de roupa transbordando.

Se alguém tinha dúvida de que ele pode deixar o PP e concorrer por outro partido no ano que vem, depois dessa declaração pública, não tem mais:

''_ Vou falar do meu partido, às vezes tem coisas que não se resolve internamente, o Gauchinho e o Alaor reclamam, achei que só acontecia no (partido) de vocês, mas, por exemplo, nosso vice-prefeito assumiu hoje a prefeitura, não foram sequer capazes de convidar os vereadores. Quem tem voto não são os vereadores, mas o pessoal que está em volta. E às vésperas da eleição algumas pessoas reclamam do executivo. Reclamam do que? O PP tem mais de 30 CCs, tem o vice, tem 3 vereadores, quatro secretarias, as mais importantes do governo estão com o PP, obras, saúde, assistência social e agricultura, como é que vamos reclamar de uma parceria dessas? Eu fico abismado, como é que vamos reclamar! Fazendo uma comparação, é como o pastor que fica olhando as ovelhas do outro, e não cuida das dele, quando vai olhar, as dele não estão mais ali...Por esses motivos, e mais alguns, o PP está fadado a terminar essa legislatura com menos vereadores do que começou. Se continuar dessa maneira, com certeza, não vai sobrar muito vereador dos que estão hoje no PP para concorrer no ano que vem''.

O pedetista Alaor Tomaz se jogou:

''_ O PDT está de portas abertas, Costa, o partido do Brizola está de portas abertas pra você!''.

Mas não parou por aí.

O petebista Tomate (Ivomar de Andrade) anunciou que não é preciso mais a existência da câmara de vereadores em Carazinho, já que o vereador Erlei Vieira (PSDB) e integrante da comissão de Justiça e Finanças enviou documento ao prefeito perguntando o que pensava sobre projeto que estava em tramitação.

Oi?

Sim, isso mesmo.

Significa, conforme Tomate, que a câmara só encaminha determinado projeto se o prefeito der ok?

Significa que  Erlei ficou com dor de cotovelo porque só ele pode abordar em projetos assuntos relacionados a drogadição e Tomate ''invadiu o seu território''?

É o que desconfia Tomate pois estava em discussão seu projeto 102/2018 referente a fiscalização a usuários de drogas em locais públicos na cidade de Carazinho, projeto que Erlei, na condição de membro da comissão que analisava o assunto,  primeiro consultou o prefeito para depois dar andamento à proposição.

Andamento que demorou, já que o projeto tramitava há mais de um ano, fato raro na câmara.

''_ Não posso admitir, pode só ele tratar sobre drogas? a não ser que ele seja o único especialista em drogas. Pode através da sua comissão que oficie o executivo municipal para saber o que o pensa sobre tal projeto? é um desrespeito com o legislativo, com os procuradores dessa casa, com os próprios institutos que auxiliam em pareceres, oficiar o prefeito para que informe se há possibilidade de executar e fiscalizar essa lei. Como um integrante da comissão dessa casa manda oficio? estão fazendo o que aqui? então feche o executivo, se tem câmara que vai se sujeitar a um executivo, saber se pode o executivo cumprir lei aprovada por essa casa, onde fica a independência e autonomia dos poderes? para que, se tem que perguntar ao prefeito se vai cumprir lei estabelecida por essa casa? ou vamos deixar que drogados, que marginais, dominem as praças., vamos nos sujeitar, dizer se essa casa pode apresentar proposições, que apenas um vereador acha-se dono de uma bandeira?''.

Tomate pode ter exposto que a mesa diretora, que é da base do governo, só dá andamento a projetos que interessam ao executivo?

Enfim, o fato é que Erlei nem compareceu à sessão, dizem, porque não teria argumentos para defender seu ponto de vista diante da visibilidade da subserviência ao governo.

Quem estava lá para essa defesa do governo era o emedebista Guarapa, que não teve sucesso em nenhuma das tentativas de manter a vontade do governo sobre o que decide a câmara.

Perdeu duplamente.

Primeiro na manutenção da inviabilidade do projeto da vereadora Janete (PDB) sobre o projeto para prestar auxílio a mulheres que se sintam em situações de risco em bares, casas noturnas e restaurantes.

Depois, perdeu no projeto do vereador Tomate sobre a denúncia de quem usar drogas ilícitas em locais públicos. 

Com ajuda dos argumentos do Tenente Costa...



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