Português e Literatura

Parodiando poemas...

Maria Solange
Agosto 05/ 2019

Como se sabe, a paródia é uma releitura de uma composição literária, geralmente do conhecimento do mundo das letras, que é parecida com a obra original, e quase sempre tem sentidos diferentes. A paródia surge a partir de uma nova interpretação, da recriação de uma obra já existente e, em geral, consagrada. Aparece como importante elemento no Modernismo Brasileiro e na Poesia Marginal da chamada "Geração Mimeógrafo".

Podemos dizer que a paródia é um exercício de intertextualidade, cujo objetivo é levar o leitor a fazer uma reflexão crítica a respeito do que acontece na sociedade. De modo irreverente, a paródia contribui para a formação de leitores/sujeitos mais reflexivos e politizados. É possível observarmos de que maneira isso ocorre, a partir da Paródia do poema ?Canção do Exílio? (do poeta romântico Gonçalves Dias), escrita pelo apresentador de programa televisivo de entrevistas, Jô Soares, e intitulada ?Canção do Exílio às avessas?.


 Minha terra tem palmeiras,                                    Minha Dinda tem cascatas,

Onde canta o Sabiá.                                                 Onde canta o curió.

As aves, que aqui gorjeiam,                                    Não permita Deus que eu tenha

Não gorjeiam como lá.                                            De voltar  pra Maceió.

     (Gonçalves Dias)                                                  (Jô Soares)


E como eu escrevi na coluna anterior que uma maneira prática e prazerosa de aprender a escrever Poesia, é começar fazendo paródias, eis aqui alguns exemplos de poemas parodiados por meus alunos da 3ª série do Ensino Médio do Colégio La Salle:


 1º- ''Os Poemas'' de Mário Quintana pelos alunos Cleiton Noetzold e Werner Papke:


Os poemas são gênesis da alma 

Refletem nossos sentimentos

E dão sentido aos versos da vida.

São como pombos-correios,

Trazem consigo a paz espiritual.

Criam laços de amizade,

Compartilhando a sua emoção.

Eles não têm frequência exata,

Mas o coração sempre se exalta.

Ao recitar os poemas com o coração,

O homem torna-se poderoso,

Mostrando assim sua real intenção.


2º - O poema ''O Acendedor de Lampiões'' de Jorge de Lima pelas alunas Natália Roque, Cecilia Roessler e Paola Cecconello:


    O acendedor de AMOR

Lá vem o acendedor de amor no coração

Este mesmo que vem, amorosamente,

Para aquecer seu coração,

Quando a tristeza tomar o lugar da gratidão.

Um, dois, três corações aquece todos eles

Aquece até os mais frios e desanimados

Que são os que mais precisam

Para voltarem a ser amados.

Alegrar os outros é sua missão

Ele, que espalha afeto, talvez não tenha

Quem aqueça o seu coração.

Estava ali espalhando bondade

Pata todos sem distinção,

Pois isso fazia sua felicidade.



(Foto: Divulgação)


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