Coluna Circulando e a política atual.

Mulheres na política.

Ana Maria Leal
Julho 24/ 2019

Eu conversava com uma pessoa - do sexo feminino - nesta quarta-feira (24) a respeito da presença das mulheres na política e ela me fez refletir sobre o comportamento masculino para com as correligionárias.

Analisávamos nomes femininos em geral que devem concorrer nas eleições do ano que vem em Carazinho, e, também, naturalmente, os do partido dessa pessoa.

Até que me disse o seguinte: os homens do partido fazem de conta que querem a presença das mulheres, mas na hora de montar a nominata ao legislativo, acabam desmotivando as que tem maior potencial de voto, deixando de fora.

Escolhem 4 ou 5 com menores condições para, depois do resultado da urnas, desfavorável a elas, apontar o dedo e fazer com que se sintam culpadas pelo mau desempenho.

Só que eles, os caciques do partido, sempre souberam que tais nomes não iriam muito longe.

Eram mulheres escolhidas ''apenas para constar''.

Para garantir a presença dos nomes masculinos e cumprir a determinação da lei eleitoral.

''_Não deixam as mulheres crescerem na política, dentro dos partidos, mas nós vemos isso muito bem, apesar de que eles acham que somos bobas!'', me afirmou, e riu.

Muitas já constataram que esse apoio a elas na política é só no discurso.

O fato é que essa realidade não ocorre num único partido, basta as mulheres que estão há algum tempo na política refrescarem a memória.

Eu mesma presenciei um episódio que me chamou a atenção.

Numa outra sigla, tempos atrás, durante um ato político, eu estava próxima de três mulheres no momento em que um dos ''cabeças'' começou a chamar as lideranças para que se posicionassem em determinado lugar pois iria ser dado início aos trabalhos.

Uma delas disse, discretamente, à outra: ''_Ele chamou só os homens...''.

E a resposta foi: ''_Deixa, não fala nada, pra ver se ele nota''.

Não notou.

Levou vários minutos para que elas fossem mencionadas e chamadas a integrar o local onde eles já estavam devidamente empertigados.

Pelo que tenho percebido ao conversar e ouvir mulheres envolvidas na política local, essa realidade está intolerável, para não dizer, inaceitável.

Tudo indica que a eleição do ano que vem terá bem menos candidatas ''apenas para constar''.

Não se muda uma realidade dessas de uma hora para outra.

Mas já é um começo.

 


(Imagem:pixabay.com)

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