Coluna Circulando e a política atual.

Cotas para mulheres.

Ana Maria Leal
Março 07/ 2019

A cada eleição vemos mulheres concorrendo a cargos públicos compartilhando espaço com os homens, mas muitos sabem que a cota pré-determinada criada para termos mais mulheres em cargos eletivos acabam resultando em casos como o do PSL, com candidatas laranjas, ou seja, que apenas deram o nome para que fosse atendida a exigência legal de percentual feminino em cada legenda.

Mediante pagamento.

Dinheiro que não necessariamente foi para elas, pelo menos não em sua totalidade, mas para a conta de políticos do partido.

Pelo que sei a Lei 9.100/1995 que regulamentou as eleições municipais de 1996 previu que para o cargo de vereador/a 20% das vagas de cada partido ou coligação daquela eleição deveriam ser preenchidas por candidaturas de mulheres.

Mas quem deixou claro esse assunto nesta semana foi o vereador Anselmo Britzke, o Gauchinho, do PDT.

Ao usar a tribuna da sessão da câmara nesta semana, entre outras abordagens, disse que não há novidade nenhuma no episódio nacional que dominou os noticiários no mês que passou, no que diz respeito ao desinteresse feminino em concorrer.

Falou da realidade que conhece bem, a de Carazinho, e que, certamente, não é o único.

''Chega a eleição e é uma tristeza ter mulher para concorrer! Esse caso (nacional) só apareceu agora (na imprensa) mas já vai de tempo, tem que pagar pra mulher concorrer senão não concorre, e o partido tem que ter a cota mínima, se não tem mulher podem ficar de dois a três candidatos de fora''.

Se dirigindo diretamente à vereadora Janete Ross de Oliveira (PSB), única representante feminina no Legislativo atual, propôs uma reflexão que vale não só para mulheres que estão na política, mas para quem do lado de cá fala em direitos iguais.

''_ Me desculpa, mas as mulheres querem igualdade, mas qual igualdade, se estamos obrigando as mulheres a concorrer? Teria que ser livre, aí seria igual, e não obrigando a  mulher a concorrer para colocar mais homens concorrendo, a qualquer cargo que seja''.

E ele tem razão.

Afinal, se as mulheres não querem concorrer onde está o sentido em fazer algo sob obrigação?

Em conseguir algum dinheiro para dar seu nome em uma nominata?

E depois?

Deixar que cada vez mais homens decidam por nós como deve ser a cidade, o estado, o Brasil?

Se é assim, apenas para constar, que seja dado fim às cotas.

Pode ser que surjam mulheres que realmente se interessem em fazer parte da política.

Ou não.

Pode ser que os homens não abram espaço para as mulheres concorrerem.

É possível.

Será o preço de não terem aproveitado as cotas.

Não posso generalizar. Muitas mulheres sérias e capazes disputam eleições pelo Brasil. 

Aproveitaram verdadeiramente as cotas.

Dão a cara para bater nesse universo masculino que é a política partidária.

Algumas conseguem chegar lá, se eleger. Outras não. 

Mas ainda são poucas.

De qualquer forma o fim das cotas, se ocorrer, significará apenas o fim de uma das muitas negociatas no meio político. 




(Imagem meramente ilustrativa: br.freepik.com)

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