Coluna Circulando e a política atual.

Azedou.

Ana Maria Leal
Fevereiro 11/ 2019

Mauro Locatelli causou. 

A declaração durante reunião na comunidade indígena na sexta-feira (08) na qual eu estive presente e cuja matéria pode ser lida aqui no Portal Gazeta desagradou geral na câmara.

Na ocasião, o emedebista criticou tanto o executivo - que aliás, é o seu partido-, quanto o legislativo.

Sobre o executivo, disse que propôs, mas não emplacou, sugestão de municipalização dos índios: ''Houve um relaxamento nesses dois anos, o que está acontecendo com Carazinho? Fecharam o município em prol de meia dúzia''.

Sobre o Legislativo, disse que ''juntando os 13 não dá 4'' e que ''falta vontade política'' para resolver a questão.

Pois alguns vereadores responderam o emedebista durante a sessão ordinária desta segunda-feira (11).

O primeiro deles foi o Tenente Costa (PP). Esclareceu que a questão indígena não cabe nem ao executivo nem ao legislativo, por mais que seja cobrado, pois trata-se de uma questão federal, da Funai (Fundação Nacional do Índio), tem um órgão próprio, tem legislação própria, e que estranhou o posicionamento de Mauro. ''Claro que a gente se sensibiliza, mas tem órgão para isso, a Funai que faça o seu serviço, conforme o artigo 231 da Constituição, e será que o Mauro já fez contato com a Funai? Além disso, temos muitas situações para resolver em Carazinho, como de famílias da área da linha férrea também ameaçadas e que precisam de uma solução''.

Gian Pedroso (PSB), por sua vez, também seguiu a mesma linha mas de maneira mais dura.

Disse que se Mauro quer resolver alguma coisa que coloque o nome para vereador, se eleja, e então execute o que pretende. ''Pelo que me lembro, ele concorreu a deputado federal e não fez 2 mil votos'', concluiu.

Anselmo Britzke (Gauchinho), do PDT, disse que na data da reunião estava em Porto Alegre justamente tratando da determinação de retirada dos índios da área onde estão. Através do deputado Eduardo Loureiro conseguiu uma agenda na Regional dos Direitos Humanos da Defensoria Pública da União para agilizar o processo.

Alaor Tomaz (PDT) lembrou de audiência com a Funai em ocasião anterior, anos atrás, na qual os índios haviam invadido uma área. ''Quem tem que resolver é a Funai, a gente fica triste, a gente quer que as coisas aconteçam, mas não está nas nossas mãos, está nas mãos da Funai, e na ocasião nos disseram que muitos ganham área mas brigam entre eles e se mudam novamente''.

Ivomar de Andrade, o Tomate (PTB), entretanto, não viu a colocação de Mauro como uma cobrança. ''Não é competência da câmara, com certeza, seria interferência e ingerência como legislador, e independente se há briga entre as tribos, caciques, um dos aspectos é de que não vejo como isso ser cobrado do legislativo pois uma tem que vir de quem conhece a legislação, conhece a questão da terra indígena, e a legislação federal, critica é saudável com quem tem capacidade de discutir e apresentar solução''. 

Nos bastidores políticos dizem que Mauro quer com esse ataque ao executivo e ao legislativo é ganhar terreno para as eleições municipais do ano que vem. 

Mostrar que nem um nem outro está atendendo a população e apresentar para os eleitores, como alternativa, a esposa, Maria Luiza Locatelli, do PSL, que concorreu a deputada estadual no ano passado e fez uma significativa votação (3.613 votos) para quem concorreu pela primeira vez, mas longe do que precisava para se eleger. 

Na foto do Circulando que fiz na sessão desta segunda-feira à noite aparecem Paulo Schettert, presidente do PT em Carazinho, e quem dá as cartas na comunidade indígena, que estava presente à reunião e ouviu, -assim como eu-, as críticas de Mauro, em conversa com Gauchinho. 

A julgar pela expressão do pedetista, deviam estar falando desse assunto. 

EM TEMPO: Mauro Locatelli me avisou na manhã desta terça (12) que há uns 50 dias está em outro partido, o PSL.



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