Literatura e Português

Acima de tudo, valorizar o que é nosso

Maria Solange
Janeiro 16/ 2019

Não é de hoje que se sabe que o brasileiro tem mania de estrangeirismo. É só parar um pouco e refletir sobre o nome dos nossos estabelecimentos comerciais bem como nomes de bares, restaurantes, danceterias... e seguindo essa mesma linha de raciocínio, lembremo-nos dos nomes que damos aos nossos filhos que, muitas vezes, geram um certo desconforto ao serem pronunciados, ou até quando  são solicitados a falarem  o seu nome.  

Quando me deparo com essa situação, eu sinto saudades do poeta nacionalista Gonçalves Dias em sua famosa Canção do Exílio em que diz: ''Minha terra tem palmeiras / onde canta o sabiá / as aves que aqui gorjeiam / não gorjeiam como lá''. Isso sim é que saber valorizar a terra onde nasceu, as suas origens. É só sair do nosso Brasil para reconhecer as maravilhas que ele possui. Não há comparação. Aqui nós temos um vasto e riquíssimo vocabulário. Temos nomes próprios de pessoas com uma carga significativa extraordinária. Nomes que nos reportam aos heróis da nossa história tanto politica, social, cultural  como religiosa. 

Ainda se tratando dos nomes dados às crianças, há um detalhe que considero muito importante: muitas vezes, as pessoas escolhem nomes, mas sem uma origem específica, porque não existem em idioma algum. Descaracterizam o nome em função de querer ser diferente dos outros ou então, para menosprezar os já existentes. Sabe-se lá! O certo é que precisamos repensar os nossos conceitos sobre brasilidade, sobre a valorização do que é nosso. Porque se nós, brasileiros, não dermos o devido valor ao que é nosso, o que podemos esperar dos outros? O Brasil é nosso! Já disse alguém há tempos, ''o Brasil é nosso e ninguém tasca''.

Eu até entendo quando alguns dizem que vivemos em um mundo cada vez mais globalizado que precisamos nos adaptar às novas línguas que estão por aí no círculo da comunicação. Entretanto, penso que se nós possuímos palavras aportuguesadas, por que usar as estrangeiras tais como: ''shampoo'' em lugar de ''xampu''; ''stress'' em lugar de ''estresse''; ''toillete'' em vez de ''toalete''; ''hot-dog'' em vez de ''cachorro-quente'' e assim por diante? Se essas não existissem, tudo bem. Então por que menosprezar as nossas palavras para usar as estrangeiras? Será que nos outros países, eles usam o nosso vocabulário português? Eu até concordo em empregar quando não há outro equivalente, ou usar quando você sabe exatamente do que se trata.  Caso contrário, empregar o nosso vocabulário de Língua Portuguesa. 




(Foto: Divulgação)


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