Literatura e Português

Atenção com a INTERTEXTUALIDADE

Maria Solange
Janeiro 04/ 2019

A intertextualidade é um dos recursos utilizados na produção de textos das mais variadas áreas, sejam eles acadêmicos, literários, empresariais, redações escolares. Trata-se da relação estabelecida entre dois textos, cuja criação de um novo texto ocorre mediante um conteúdo textual já existente. É muito comum que os autores façam uso desses conteúdos existentes e reconhecidos com a finalidade de embasar melhor um tema, oferecer mais informações aos leitores, defender uma ideia.

Para perceber a presença de intertextualidade, é preciso que o leitor tenha um conhecimento a respeito do texto-fonte, ou que, no mínimo, tenha entrado em contato com ele em algum momento da vida. Isso significa que não basta apenas o conhecimento da Língua Portuguesa para a compreensão destes, mas sim de uma cultura geral ampla. A intertextualidade é, portanto, um elemento bastante significativo e relevante para a constituição dos sentidos dos textos, e colabora para que nele haja a coerência, além do reforço da ideia que está sendo passada.

Há dois tipos de intertextualidade: a paródia e a paráfrase.

 A paródia é uma forma de contestar ou ridicularizar outros textos, há uma ruptura com as ideologias impostas e, por isso, é objeto de interesse para os estudiosos da língua e das artes. Os programas humorísticos fazem uso contínuo dessa arte, frequentemente os discursos de políticos são abordados de maneira cômica e contestadora, provocando risos e também reflexão a respeito da demagogia praticada pela classe dominante. Por exemplo:

Canção do Exílio(original)                                             Canto de regresso à pátria (paródia)

(Gonçalves Dias)                                                             Oswald de Andrade

Minha terra tem palmeiras,                                           Minha terra tem palmares

Onde canta o Sabiá;                                                       Onde gorjeia o mar

As aves, que aqui gorjeiam,                                           Os passarinhos daqui

Não gorjeiam como lá.                                                  Não cantam como os de lá.

    Ditado popular:                                                               Paródia desse ditado:

A ocasião faz o ladrão.                                        A ocasião faz o roubo, pois o ladrão já nasce feito.


Na paráfrase, as palavras são mudadas, porém a ideia do texto é confirmada pelo novo texto, a alusão ocorre para atualizar, reafirmar os sentidos ou alguns sentidos do texto citado. É dizer com outras palavras o que já foi dito. É preciso, nesta técnica, usar palavras diferentes do texto original.

Canção do Exilio (original)                                                      Paráfrase:            

Minha terra tem palmeiras                                              Meus olhos brasileiros se fecham saudosos

Onde canta o sabiá,                                                         Minha boca procura a ''Canção do Exílio''.

As aves que aqui gorjeiam                                              Como era mesmo a ''Canção do Exílio''?

Não gorjeiam como lá.                                                    Eu tão esquecido da minha terra...

''O sertanejo é, antes de tudo, um forte''.                                      Paráfrase:

   (Os Sertões de Euclides da Cunha)                          O web designer é, antes de tudo, um criador.


Observe mais exemplos de fragmentos com Intertextualidade:

A Universidade Santa Úrsula adverte: frequentar certos cursos faz mal ao bolso!

A situação econômica do Brasil é grave e quem tiver ouvidos para ouvir, que ouça: todos devemos colaborar para que isso não piore!

Acreditar ou não nas religiões: eis a questão!

Quem ri por último, ri atrasado.

O professor é, antes de tudo, um abnegado.

Em casa de ferreiro, só tem ferro.

Os últimos serão desclassificados.

Quem cedo madruga, fica com sono o dia inteiro.




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