Coluna Circulando e a política em Carazinho.

"Vergonha".

Ana Maria Leal
Julho 03/ 2018

A nova etapa que a Eletrocar (Centrais Elétricas de Carazinho) está vivendo com a adequação à Lei das Estatais foi comentada durante a sessão da câmara de vereadores desta segunda (02).

O pedetista Anselmo Britzke (Gauchinho) foi quem introduziu o assunto, desejando sucesso aos novos gestores e relembrando que na gestão do prefeito Renato Suss (2012-2016) ele e Alaor Tomaz (PDT) foram até Poços de Caldas (MG) conhecer uma concessionária de energia que seria um bom exemplo para a Eletrocar, devido aos exitosos números de sua administração.

Usando o vocabulário típico do Rio Grande do Sul, Gauchinho disse que viajaram ''de valde'', que significa ''não ter o que fazer'', pois o ex-prefeito não teve interesse em saber a respeito.

Disse, ainda, que é uma pena que a Eletrocar tenha enfrentado ao longo dos anos tantas questões no âmbito ''judicial e policial'', e que é uma vergonha que tudo isso tenha acontecido.

''Essa conta quem vai pagar somos nós, quem vai pagar pelas administrações passadas, onde houve caso de que depois da eleição gestores foram viajar pela Eletrocar para Andra dos Reis, de que pagavam patrocínio até de revistas da cidade de Novo Hamburgo, e quando entidades daqui buscavam recurso não tinha, mas investiam em jornal, revista, rádio, que não são de Carazinho. Uma vergonha o que administrações fizeram da Eletrocar. Chegou onde chegou por pessoas irresponsáveis, acho que iam brincar de figurinha da copa...''.

Quanto aos gastos com mídia, o vereador João Pedro (PSDB) complementou que no passado a Eletrocar gastou numa única edição em jornal local R$ 34 mil.

Alexandre Capitânio (PP), não se importou de correr o risco de desagradar o próprio partido pois também aumentou a lista do cofre aberto para outros municípios, informando que até o Coral de outra cidade, Teutônia, foi beneficiado com recursos da Eletrocar.

O vereador Tenente Costa (PP) contou que a gastança era tanta que uma festa de posse teria custado R$ 200 mil. Não especificou, mas deve ter feito referência a posse de gestores. Encerrou dizendo esperar que a venda da Pequena Hidrelétrica (PCH) Cabrito, após todo o trâmite legal envolvendo a negociação que acabou suspensa pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), reverta favoravelmente ao patrimônio da Eletrocar.

Na verdade todos hoje concordam que as gestões puramente politicas causaram danos à empresa, mas os partidos de todos eles quando governaram a cidade mantiveram indicações político-partidárias à frente da Eletrocar. Ninguém fez diferente. Até o governo atual, que poderia ter iniciado em 2017 com um quadro de técnicos, mas só mudou por força da lei.

Nomes como de Claudio Quadros, atual presidente (temporariamente, até que, como disse o prefeito Milton Schmitz, alguém seja encontrado), e de outros servidores de carreira, estão há bastante tempo à disposição da Eletrocar. Ele, precisamente, há 32 anos, mas jamais foi cogitado para esta ou outra função na diretoria.

Se não fosse pela lei, tudo seria como dantes.



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