Coluna Circulando e a política em Carazinho.

Quebra de decoro?

Ana Maria Leal
Março 12/ 2018

A câmara de vereadores de Carazinho perdeu nesta segunda-feira (12) a oportunidade de demonstrar que ali podem ser abordadas ideias que nem sempre são comuns aos 13 detentores de uma daquelas cadeiras, e nem por isso vale tirar satisfações aos gritos, de punho cerrado, sob ameaças, de algo com o que não se concorda.

Certa de que algumas imagens valem mais do que mil palavras, separei aqui algumas feitas pelo colega Fernão Duarte, que atentamente registra o que acontece durante a sessão da câmara, e neste caso, o que houve depois que o presidente Márcio Hoppen, o Guarapa (PMDB) deu por encerrada a sessão ordinária desta segunda-feira (12).

Vamos aos fatos:

A ordinária ocorreu após uma sessão solene de homenagem ao Dia Internacional da Mulher.

Se houvesse a inversão da agenda, com a ordinária antes da solene, aquele barraco, lamentavelmente, teria sido presenciado por muito mais pessoas.

Me corrijam se me enganei, posso ter feito uma leitura equivocada do episódio, e ele mesmo pode esclarecer, mas pelo que entendi o vereador Erlei Vieira (PSDB) perdeu a compostura porque foi dito por colegas sobre aproveitar a oportunidade de encontrar políticos na Expodireto para encaminhar pleitos de interesse de Carazinho, e com isso economizar em diárias.

Vários vereadores fizeram essa abordagem, há uma semana, mas Erlei não confrontou a todos eles.

Foi antecedido na defesa do uso de diárias por Anselmo Britzke (Gauchinho), do PDT, que lamentou a imprensa não divulgar uma emenda de R$ 110 mil que conseguiu com o deputado do seu partido Afonso Mota. ''Quando é para falar de diárias de vereadores, vira manchete, mas quando é para contar que nós conseguimos R$ 110 mil para a saúde, não é notícia!''.

Gauchinho também mandou um recado a quem pensa que é fácil conseguir recursos usando e-mail ou telefone que quando conseguiu convencer os sócios da Ludovico Tozzo a se instalarem em Carazinho não foi porque os encontrou em Não-Me-Toque, na Expodireto.

O presidente da câmara, emedebista notoriamente conhecido pelo projeto de Diária Zero que não consegue tirar do papel pois não teria votos suficientes, disse que respeita quem tira diárias mas deu seu próprio exemplo de que viaja para compromissos do Poder Legislativo sem diárias. ''Com todo respeito aos meus colegas, mas os nossos deputados nós temos que comprometer na campanha, e não de quatro em quatro anos quando eles lembram que Carazinho existe, como é o caso de alguns deles. Emendas são muito bem vindas, mas temos que mostrar a eles que não é só de quatro em quatro anos que eles vem aqui, participam de uma janta, dão uns abraços, e depois vão embora''.

Ao usar a tribuna Erlei repetiu sua defesa pelo uso de diárias dizendo que ''tem vereador que só faz demagogia usando a rede social dizendo que não tira diária mas não trouxe um tijolo para Carazinho''.

Disse, ainda, que viajou por muitas vezes com o tio desse vereador e juntos além de tirarem diárias conseguiram recursos para a cidade. Não disse o nome, mas todos entenderam que o vereador ''tio'' de um atual vereador só pode ter sido o ex-vereador Orion Albuquerque, que legislou com Erlei de 2013 a 2016 e depois abandonou a política.

Ao final do pronunciamento de Erlei o vereador João Pedro Albuquerque de Azevedo (PSDB) pediu direito a explicações pessoais, para responder as acusações, mas Erlei argumentou que não citou seu nome.

Não citou, mesmo, mas na análise dos representantes do setor jurídico da câmara houve o entendimento de que o espaço de explicações pessoais era pertinente.

Ao final da sessão que não teve votação de projetos e você encontra matéria completa na capa deste site, João Pedro usou a tribuna, defendeu a economia dos gastos públicos, e falou que há na política pelo país quem complementa o salário com diárias.

Erlei pediu para se defender, usou a tribuna acusando João Pedro de demagogo, de ter nascido em berço de ouro e do pai ter sido diretor da Eletrocar, entre outros, e a seguir a sessão foi encerrada pelo presidente, convocando a todos para a extraordinária na próxima quarta, dia 14, às 17h.

Só que Erlei não deu o assunto por encerrado, e enquanto muitos se retiravam do plenário, foi até o colega tucano que ainda estava sentado em seu lugar. Começou a tirar satisfações aos gritos, e foi contido pelo assessor Venâncio Hoffman, e depois também o vereador Fábio Zanetti (PSDB) tentou fazer com que se afastasse, até que deixou o plenário, entredentes. João Pedro ouviu impassível.

O departamento jurídico da câmara orientou o presidente de que seja acionado o Conselho de Ética imediatamente. Por sua vez, o presidente me informou, pelo watts, que viu as imagens, que não houve agressão, mas que nesta terça-feira (13) vai conversar com os assessores jurídicos da câmara.



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