Saúde

AIDS

Mauro Mazzutti
Março 07/ 2018

No início dos anos 80, o surto de uma doença desconhecida e com progressão mortal colocava em alerta a comunidade científica. Tratava-se de uma enfermidade que causava falência imunológica do organismo, identificada em 1982 como Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, ou simplesmente AIDS, sigla em inglês de Acquired Immune Deficiency Syndrome. Porém, somente dois anos depois o vírus HIV (em português, Vírus da Imunodeficiência Humana) foi descoberto e decifrado, podendo então, ser diagnosticada a doença através de exames e ter a sua transmissão monitorada. 

Inicialmente, a doença foi detectada nos EUA em grupos de homossexuais masculinos, e rapidamente identificada em outros grupos de risco, ficando claro que se tratava de uma doença transmitida por atividades sexuais, por via sanguínea, através da transfusão de sangue, ou uso drogas injetáveis e, de mãe para filho, durante o parto. 

Desde o início da epidemia, mais de 75 milhões de pessoas foram contaminadas com esse vírus, e mais de 40 milhões já morreram devido à AIDS. Atualmente, pelo menos 33 milhões de pessoas convivem com o vírus HIV; entre os homens, 45% deles contraíram o vírus através de relação heterossexual, e entre as mulheres esse percentual é de 97%. No sul da África, a AIDS é a principal causa de morte, e a expectativa de vida é de 47 anos (sem a AIDS seria de 62 anos), média pior do que a da década de 50. Países em desenvolvimento são amplamente atingidos pela AIDS, e governos gastam bilhões de dólares, aumentando ainda mais a miséria. 

Estudos sustentam que o vírus HIV teve origem na África, com a contaminação de seres humanos por macacos, portadores de um vírus similar; a carne desses animais era bastante requisitada naquela região e, quando os caçadores levavam o animal morto e ensanguentado nas costas, não era raro que ambos os ferimentos (do caçador e do macaco) entrassem em contato, permitindo a contaminação. Os lucros dessas atividades muitas vezes eram gastos em prostíbulos, o que aumentou a transmissão da doença.  

A AIDS é uma síndrome que afeta o sistema imunológico, provocando diminuição progressiva das defesas. Infecções oportunistas, como pneumonia ou tuberculose, por exemplo, podem ser gravíssimas em pacientes com AIDS e, muitas vezes, são causa de morte. Os sintomas da doença se devem à queda do número de linfócitos CD4 - células de defesa -, infectadas pelo vírus HIV. 

A detecção da AIDS pode ser feita em 30 dias (pelo menos) desde a exposição ao risco. Porém, o diagnóstico definitivo pode ocorrer somente a partir de 90 dias, pois a produção dos anticorpos pesquisados nos exames pode variar de pessoa para pessoa, resultando em um exame ''falso negativo''- isso se chama janela imunológica. Infelizmente, algumas pessoas têm passado a ideia de que é difícil transmitir e/ou contrair o vírus HIV e que só através de atos extremos isso poderia acontecer. Muito cuidado, isso não verdade;  a transmissão do vírus HIV foi identificada em situações de contato com sangue, sêmen, secreções vaginais e leite materno. Testes rápidos disponibilizados pelo SUS podem ser feitos sempre que houver alguma situação de risco.

Com os coquetéis medicamentosos utilizados atualmente em portadores do vírus HIV, consegue-se protelar, em média, de 8 a 10 anos o início dos sintomas da AIDS.  Porém, esse tempo é relacionado à qualidade de vida do paciente, sendo que em fumantes, usuários de drogas e praticantes de comportamentos de risco, esse tempo pode ser abreviado significativamente. Porém, a AIDS é incurável, e não há vacina. 

A educação sexual e a conscientização, com ênfase no uso de preservativos, devem ser abordadas com contundência pelos pais e nas escolas, o que continua sendo o melhor remédio. Abraços, Mauro.



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