Saúde

Disfunção do desejo sexual feminino

Mauro Mazzutti
Março 01/ 2018

A sexualidade nos acompanha em todas as épocas da vida. Começa na infância - através dos contatos afetivos e a relação de gêneros - amadurece na adolescência, e se consolida na vida adulta, em intensidade variável.  O sexo é reconhecido pela OMS (Organização Mundial de Saúde) como um fator importante para a qualidade de vida. Porém, muitas mulheres apresentam dificuldades sexuais, não dialogam com seus parceiros e acabam adotando a tática de fingir, ou fugir (utilizando desculpas como a ''dor de cabeça'', por exemplo), com medo de que a relação seja prejudicada. Os números no Brasil chegam a representar 35% das mulheres.  

As disfunções sexuais femininas mais comuns são: perda do desejo sexual (diminuição da libido), incapacidade de chegar ao orgasmo (anorgasmia), dor na relação sexual (dispareunia) e vaginismo, que é a incapacidade de penetração sexual, quando os músculos vaginais se comprimem, tornando o ato doloroso. 

Para concretizar-se em toda sua plenitude - da excitação ao orgasmo - o sexo depende da sinergia entre fatores biológicos (hormônios e ausência de certas doenças) e psicológicos (desejo e fantasias eróticas). Dentre os fatores biológicos que podem ocasionar a disfunção sexual estão doenças que afetam a função neurológica, como a diabetes e a esclerose múltipla; as desordens pélvicas, como a endometriose ou, ainda, taxas hormonais de estrogênio, de prolactina ou de testosterona desreguladas. Na menopausa há um declínio na concentração do estrogênio - responsável pela lubrificação vaginal -, podendo ser a causa do problema nessa etapa da vida. A diminuição da libido também pode ocorrer durante determinadas fases do ciclo menstrual, pois acontecem variações hormonais. Isso também justifica o fato de algumas mulheres sentirem falta de desejo durante o uso de certos tipos de anticoncepcionais ou de antidepressivos.

Porém, na maioria dos casos o problema é de origem psicológica; experiências traumáticas como o estupro ou o incesto, por exemplo, sofridos na infância ou na vida adulta causam um sentimento de culpa e/ou inadequação, resultando em bloqueio psicológico que impede a mulher de relaxar e ter uma vida sexual normal. Outros fatores são frequentemente relatados: falta de intimidade com o parceiro, baixa autoestima, ansiedade, insegurança, falta de ambiente propício e a interferência dos filhos. Fatores sociais, como uma educação moral e religiosa muito rígida, podem gerar conflitos psicológicos. O dilema nesses casos é ser aquela mulher recatada, religiosa, mãe zelosa com a família ou ser aquela que pode satisfazer suas fantasias sexuais.

O tratamento deve ser proposto por um médico, que após excluir ou tratar as causas funcionais (doenças ou problemas hormonais), pode recomendar um terapeuta, caso identifique problemas psicológicos.  A terapia normalmente é feita pelo casal e a mais utilizada é a Terapia Cognitiva Comportamental (TCC), que visa mudar o comportamento da paciente e fornecer uma nova ótica aos fatos. 

As últimas informações dão conta de que uma espécie de Viagra feminino está chegando ao mercado e deverá se chamar Addyi, do laboratório Bhoeringer. Esse medicamento atuará no cérebro, aumentando a produção de serotonina e dopamina, substâncias que promovem o bem estar. Porém, o produto é alvo de discussões, pois os contrários alegam que a pílula não tem a capacidade de resolver os problemas emocionais, que também seriam responsáveis pela falta de desejo. Os resultados clínicos apresentados pelo laboratório ao FDA, com intuito da aprovação, sugerem bons resultados.  

É importante lembrar que o sexo deve ser algo natural, sem que deva haver cartilhas ou pílulas mágicas que o tornem artificial ou por obrigação; manter uma relação de diálogo, amor e paz no relacionamento é o início da razão e do equilíbrio na parte sexual.  

Abraços, Mauro.



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