Português e Literatura

Por que especificar quando a intenção é generalizar?

Maria Solange
Janeiro 17/ 2018

Desde que se formou a escrita, quando se quer generalizar um tipo de pessoa, usa-se a forma masculina no singular. Por exemplo, ''todo o homem é mortal''; ''o sertanejo é, antes de tudo, um forte''...

Ao usar essas expressões não significa que apenas o ''homem'' é mortal ou que apenas o ''sertanejo'' é forte. Elas estão se referindo a todas as pessoas, independentes de sexo, raça, idade ou cor. Sempre foi assim. Se formos olhar no dicionário, as palavras estão inseridas no masculino singular, exceto, quando existe uma única forma para ambos os gêneros como ''pessoa, criança, indivíduo, criatura, povo...''

E o que eu tenho percebido de uns tempos para cá é que estão mudando a forma de tratamento tanto na escrita como na oralidade. Escreve-se ou fala-se: ''o professor e a professora''; ''brasileiro e brasileira''; ''boa noite a todos e a todas'' e assim vai. Agora, pergunto: por que isso? Se você está diante de um público, não há necessidade de dizer ''todos'' e ''todas'', porque quando se diz ''todos'', já estão subentendidos todos os tipos de pessoas, não há por que especificar, individualizar. 

A mesma situação ocorre quando num relato, escreve-se: ''Todo professor deve se dirigir a seus alunos com muita discrição...'' Ao ler, você já subentende que nas  palavras ''professor'' e ''alunos'' estão inclusas as duas formas (feminina e masculina). Não há por que especificar, pois a referência é geral. Por que complicar quando a situação é muito simples? Sempre foi assim desde que surgiu a escrita e as suas modalidades. O nosso Português já está cheio de regras e exceções que dificultam o seu entendimento. Para que querer dificultar ou mudar algo que já se eternizou na comunicação interpessoal?

Vamos nos preocupar com os erros ortográficos que aparecem na mídia, nas placas de anúncios, nos panfletos que circulam pela cidade de mão em mão. Isso sim é deprimente! Já chegaram às minhas mãos panfletos com ''você'' escrito com ''ç''; ''a prazo'' com crase; a expressão ''a partir de'' escrita junto com crase; ''consertam-se bicicletas'' com ''c'' e no singular... e tantos outros que se fosse escrever aqui dariam muitas páginas. 

         


 


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