Coluna de Português e Literatura

Recursos estilísticos presentes na publicidade

Maria Solange
Setembro 26/ 2017

           Parodiando o poeta Carlos Drummond de Andrade: ?O olhador de anúncios sente o prazer de novas associações de coisas, animais e pessoas; e esse prazer é poético. Quem disse que a poesia anda desvalorizada? A bossa dos anúncios prova o contrário. E ao vender-nos qualquer mercadoria, eles nos dão de presente ?algo mais?, que é o produto da imaginação e tem serventia...?        

           E isso  nós percebemos quando observamos os anúncios publicitários das mais variadas lojas das cidades em geral e também, nos títulos e subtítulos existentes nos jornais e revistas. São propagandas em que a mensagem é transmitida através da linguagem conotativa, ou seja, aquela em que a palavra não está sendo empregada no seu sentido literal. Vejamos alguns exemplos:


          - ''Nosso cobertor aquece os corpos de quem já tem o coração quente''

          - ''Aprenda a ver com os dois olhos''

          - ''Toda a sua família cabe neste refrigerador e ainda sobra lugar para o peru de Natal''

- ''Sirva nossa lingerie como champanha; é mais leve e mais espumante''.

-  ''As lojas fazem tudo por amor''

- ''Seus pés estão chorando por falta das meias Rouxinol, que rouxinolizam o andar''


         Agora, prestemos atenção nas manchetes dos jornais e revistas, em que  utilizam as figuras de linguagem, recurso estilístico para incrementar mais o título:

          - ''Pelotas pede pela paz'' ; ''Curada do câncer, criadora do Careca TV quer ser youtuber'' -> uso da aliteração, que é a repetição da mesma consoante inicial.  (na 1ª a letra ''p'' e na 2ª a letra ''c'')

          - ''Nossos velhos moços'' ; ''Novo velho Mundo'' ; ''Este é um pequeno grande texto'' -> uso do paradoxo, que é o uso de palavras contrárias referindo-se ao mesmo ser.

          - ''Algumas rádios têm ouvintes; a nossa tem torcedores'' ; ''Área de milho volta a cair, e a de soja, a  crescer'' ; ''Encontre as melhores linhas de financiamento na hora em que você quiser e de onde estiver'' -> uso da zeugma, que é ausência subentendida de um elemento já existente na frase ( na 1ª, a palavra ''rádio''; na 2ª, as palavras ''área'', ''volta''; na 3ª, a palavra ''você''). 

          - ''Lá vêm eles de novo'' ; ''Saem as siglas, entram os lemas'' ; ''Falta pulso firme na situação'' -> inversão ou hipérbato, que é a inversão dos termos sintáticos da oração. A ordem direta seria: Eles vêm lá de novo... As siglas saem, os lemas entram... Pulso firme falta na situação...


             Outro recurso estilístico presente na publicidade é a Intertextualidade (texto que faz referência a outro já existente). Por exemplo: ''Comunicar-se ou não, eis a questão!'' ( a original é: Ser ou não ser, eis a questão! de William Shakespeare); ''Vai que agora é tu,  DMLU!'' (a original é: Vai que é tua, Taffarel! dita por Galvão Bueno) ; na charge de IOTTI: ''Lula elogiou Renan Calheiros e Sarney! Já dizia o Barão de Itararé: Diga-me com quem andas e direi se vou contigo!'' ( a original é Diga-me com quem andas que te direi quem tu és, corresponde a um ditado popular).


              Ainda outro recurso usado na mídia, principalmente, nas tirinhas do Armandinho  e em algumas piadas é a Ambiguidade (sentido duplo da palavra ou expressão). Exemplo:

              ''- Pai, não adianta lamentar o leite derramado! 

                - Do que você está falando, filho?  

                - Do sofá da sala!''                       (nesse caso, a expressão ambígua é ''leite derramado'' )

         

                O sujeito chega ao mercado e pergunta:

                 - Quanto é meia dúzia de ovos?

                E o atendente responde:

                 - Seis ovos.                                 (nesse caso, a expressão ambígua é ''Quanto é'')



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