Coluna sobre histórias e costumes

''Maria Leopoldina de Áustria'' (19)

Adari Ecker
Setembro 06/ 2017

Ao se aproximar das comemorações dos 195 anos da Independência do Brasil, relato alguns fatos relevante que diz respeito diretamente a Princesa Dona Maria Leopoldina de Áustria, esposa de Dom Pedro I.

No dia 02 de setembro de 1822, Leopoldina, como Princesa Real-Regente do Reino do Brasil e, com o apoio do Conselho de Ministros declarou o Brasil Independente de Portugal. 

Em 07 de setembro de 1822, as margens do Ipiranga Dom Pedro I ratificou sua decisão, dando o famoso Grito do Ipiranga...''Laços fora soldados...'', às margens do Arroio Ipiranga, em São Paulo.

Leopoldina, arquiduquesa da Áustria, primeira imperatriz-consorte do Brasil, regente do Brasil em setembro de 1821, e, durante oito dias, em 1826, rainha consorte de Portugal.

Ela pertencia à Casa de Habsburgo, uma das mais antigas dinastias da Europa, que reinou na Áustria de 1282 até 1918 - por 636 ANOS - e outros territórios como Hungría, Jusguslávia, Norte da Itália, de onde veio a Família De Eccher (Echer/Ecker), em 1875. 

Era filha do último imperador do Sacro Império Romano-Germânico Francisco II.

Cresceu no castelo de Schönbrunn até a data de seu casamento em 1817.

CASAMENTO EM VIENA

Com o consentimento do império austríaco o casamento foi formalizado em 29 de novembro de 1816.  A cerimônia foi celebrada pelo Arcebispo de Viena e se realizou no dia 13 de maio de 1817, por procuração, na igreja de Santo Agostinho, em Viena. 

Na oportunidade, o Principe D. Pedro foi representado pelo arquiduque Carlos Luís (1771-1847), ou Karl Ludwig, grande chefe militar. 

Casariam de novo em 6 de novembro de 1817 no Rio de Janeiro.

"O ponto culminante das cerimônias de casamento foi atingido no Augarten de Viena onde, a 1º de junho, Marialva, embaixador do Brasil, que tinha tido poucas oportunidades para revelar o esplendor, riqueza e hospitalidade de sua nação, deu uma suntuosa recepção para a qual fizera preparativos durante todo o inverno.» 

Pouco tempo antes do casamento, duas fragatas austríacas, a Áustria e a Augusta, partiram para o Rio, com os móveis e decorações para a embaixada da Áustria, recem instalada no Rio de Janeiro, bem como, o equipamento para uma expedição científica ao interior do Brasil e numerosas mostras de produtos comerciais austríacos."

Leopoldina se interessava por botânica e mineralogia. Veio da Áustria acompanhada por inumeros cientistas, botânicos e pintores.

INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

No Rio, no início de 1822, colheram-se milhares de assinaturas que exigiam que Regentes, Dom Pedro e Leopoldina, permanecessem no Brasil. 

Segundo Ezekiel Ramirez, eram visíveis os sinais de uma nascente unidade brasileira como nação independente.

«A corajosa atitude de José Bonifácio de Andrada e Silva contra a arrogância dos portugueses, encorajou muito as aspirações de unidade que existiam nas províncias meridionais, especialmente em São Paulo?. 

Um grupo de homens altamente cultos liderou o movimento de independência. 

O ''Dia do Fico'', ficou consagrado, ocorreu em 09 de janeiro de 1822, permanecendo Dom Pedro No Brasil ao invez de ir a Portugal como lhe solicitaram as Cortes. 

Em 15 de fevereiro de 1822, as tropas portuguesas deixaram o Rio, e sua partida representou a dissolução dos laços que exisitiam entre o Brasil e a metrópole. 

Para atender compromissos de Governo, D. Pedro entregou o poder a D. Leopoldina a 13 de agosto de 1822, nomeando-a chefe do Conselho de Estado e Princesa Regente Interina do Brasil, com poderes legais para governar o país durante a sua ausência e partiu para apaziguar São Paulo.

D. Leopoldina exerceu a regência. Grande foi sua influência no processo de independência. Havia temores de que uma guerra civil separasse a Província de São Paulo do resto do Brasil. Dona Leopoldina, na condição de Princesa Real-Regente do Reino do Brasil, preside uma importante reunião do Conselho de Ministros em 02 de setembro de 1822.

A princesa recebeu notícias de que Portugal estava preparando ação contra o Brasil e, sem tempo para aguardar o retorno de D. Pedro, aconselhada por José Bonifácio de Andrada e Silva, e usando de seus atributos de chefe interina do governo, ASSINOU O DECRETO DA INDEPENDÊNCIA, DECLARANDO O BRASIL SEPARADO DE PORTUGAL. 

E como primeira Imperatriz do Brasil envia carta a Dom Pedro, juntamente com outra de José Bonifácio, além de comentários de Portugal criticando a atuação do seu marido e de Dom João VI. 

Leopoldina exige que D. Pedro proclame a Independência do Brasil e, na carta, adverte:

  "O pomo está maduro, colhe-o já, senão apodrece".

O oficial que levou a correspondência chegou ao príncipe no dia 07 de setembro de 1822. 

Leopoldina enviara ainda papéis recebidos de Lisboa, e comentários de Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, deputado às Cortes, pelos quais o Príncipe-Regente se inteirou das críticas que lhe faziam na Metrópole. 

A posição de D. João VI e de todo o seu ministério, dominados pelas Cortes, era difícil.

Enquanto aguardava o retorno de D. Pedro de São Paulo, Leopoldina, governava interinamente, um Brasil já independente.

Ela idealizou a bandeira do Brasil, em que misturou o verde da família Bragança e o amarelo ouro da família Habsburgo. O retângulo verde dos Bragança representava as florestas e o losango amarelo, cor da dinastia Habsburgo-Lorena, representava o ouro.

Foi coroada imperatriz em 1º de dezembro de 1822, na cerimônia de coroação e sagração de D. Pedro I.

Em 1824 a imperatriz Maria Leopoldina jura à Constituição do Brasil. 

IMIGRAÇÃO

Na esteira de D. Leopoldina iniciou a política de imigração e chegaram os primeiros imigrantes, colonos suíços que se fixaram nos arredores da corte, fundando Nova Friburgo e instalando-se depois na futura Petrópolis.

E a partir de 1824, os colonos alemães chegaram mais numerosos, juntamente com militares, conforme o hiatoriador Juvenal Saldanha Lemos, em ''Os Mercenários do Imperador'', chegaram quatro mil pessoas, sendo que de cada quatro pessoas, três eram militares e apenas um era colono, mas todos vinham como colonos. 

O Objetivo, era trazer gente de confiança para garantir a Independência do Brasil de Portugal.  Os verdadeiros colonos se instalaram em Nova Friburgo e nas regiões temperadas das províncias de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, onde a Colônia de São Leopoldo foi criada em homenagem à Dona Leopoldina. Alguns da Pomerânia foram para o Espírito Santo. 

Os militares alemães foram para o exército e lutaram na Guerra Cisplatina, bem como, compuseram a guarda real do Palácio da Boa Vista. Para segurança e garantia da família real, esta guarda era feita somente por oficias e soldados alemães.

MORTE DE DONA LEOPOLDINA

Dom Pedro I transformou Dona Leopoldina numa parideira. Em nove anos de casados tiveram sete filhos:

1. D. Maria da Glória em 1819;

2. Dom Miguel em 1820;

3. D. João Carlos em 1821;

4. D. Januária Maria em 1822;

5. D. Paula Mariana em 1823;

6. D. Francisca Carolina em 1824;

7. D. Pedro de Alcântara em 1825, segundo imperador do Brasil, casou-se em 1842 com Teresa de Duas Sicílias.

Dom Pedro muito a maltratou por meio dos seus relacionamentos fora do casamento. Dona Leopoldina acabou sucumbindo aos caprichos do marido que se envolveu com Domitilia de Castro e Canto e Melo, sua amante, a qual concedeu o título de Marquesa de Santos, isto causou profunda depresssão e grande amargura à Imperatriz que morreu aos vinte e nove anos de idade, grávida do oitavo filho, que também acabou morrendo, em 11 de dezembro de 1826, no Palácio de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro.

No ano de 1954 seus restos mortais foram transferidos para um sarcófago de granito verde, ornado de ouro, na Capela Imperial, sob o Monumento do Ipiranga, na cidade de São Paulo. 

Desde 1827, Dom Pedro I procurava uma noiva nobre de sangue, mas o seu relacionamento com Domitila e os sofrimentos que causou a Dona Leopoldina, eram vistos com horror pelas cortes européias. 

Várias princesas recusaram-se a casar-se com Pedro I.  Uma das cláusulas do contrato nupcial de Amélia de Leuchtenberg, qua acabou aceitando se casar com Dom Pedro I dizia que ele deveria afastar-se para sempre de Domitila e bani-la do império.

TÍTULOS E TRATAMENTOS DE DONA LEOPOLDINA

- 22 de janeiro de 1797 - 11 de agosto de 1804: Sua Alteza Real, Arquiduquesa Leopoldina da Áustria

- 11 de agosto de 1804 - 6 de novembro de 1817: Sua Alteza Imperial e Real, Arquiduquesa Leopoldina da Áustria

- 6 de novembro de 1817 - 12 de outubro de 1822: Sua Alteza Real, a Princesa Real do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, Duquesa de Bragança

- 12 de outubro de 1822 -10 de março de 1826: Sua Majestade Imperial, a Imperatriz do Brasil

- 10 de março de 1826 - 28 de maio de 1826: Sua Majestade Imperial e Fidelíssima, a Imperatriz do Brasil e Rainha de Portugal

- 28 de maio de 1826 - 11 de dezembro de 1826: Sua Majestade Imperial, a Imperatriz do Brasil

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

- KAIZER, Glória, Dona Leopoldina, Uma Habsburg no trono brasileiro, Editora Nova Fronteira, 1997.

- KANN, Betina, SOUZA LIMA, Patrícia, seleção, Cartas de uma imperatriz, Editora Estação Liberdade, São Paulo, 2006.

- LACOMBE, Américo Jacobina, tradutor, Correspondência entre Maria Grahan e a Imperatriz Dona Leopoldina, Editora Itatiaia, Belo Horizonte, 1997.

- PRANTNER, Johanna, Imperatriz Leopoldina do Brasil, Editora Vozes, Petrópolis, 1998.

- RAMIREZ, Ezekiel Stanley, As relações entre a Áustria e o Brasil - 1815-1889, Coleção, Brasiliana, Volume 337, Companhia Editora Nacional, São Paulo, 1968, tradução e notas por Américo Jacobina Lacombe.

Referências

1. ↑ "Casamento de d. Pedro"' in: "O Arquivo Nacional e a História Luso-Brasileira"

2. ↑ CASTRO, Manuel António de. D. Carolina Josefa Leopoldina, Princeza Real do Reino Unido, de Portugal, Brazil, e Algarves, 1819

3. ↑ Carolina Josefa Leopoldina, imperatriz Leopoldina

4. ↑ Primeira imperatriz do Brasil - Maria Leopoldina

5. ↑ RANGEL, Alberto. Dom Pedro e a Marquesa de Santos. São Paulo: Brasiliense, 1969.

6. ↑ SANTOS, Eugénio dos. "D. Pedro IV", Rio de Mouro: Círculo de Leitores, 2006

7. ↑ SEIDLER, Carl. "Dez Anos no Brasil", Itatiaia, São Paulo, Belo Horizonte, 1980

8. ↑ OBERACKER Jr, Carlos. "A Imperatriz Leopoldina. Sua Vida e Sua Época", Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1973

9. ↑ Calmon, Pedro. História de D. Pedro II. 5 v. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1975, p.14

10. ↑ Kann, Bettina. Cartas de uma Imperatriz. 1ª ed. São Paulo: Estação Liberdade, 2006, p.451

11. ↑ LUSTOSA, Isabel. D. Pedro I - Um herói sem caráter. Companhia das Letras, 2006.



Adari Francisco Ecker

Advogado e Historiador

E-mail: adariecker@terra.com.br


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