Português e Literatura

Revisando a CRASE...

Maria Solange
Setembro 01/ 2017

O uso da crase é tão necessário quanto a ortografia das palavras. Dependendo da frase, o uso ou não do sinal da crase muda totalmente o sentido do contexto. Vejamos alguns casos:


         1-O menino desenhou a mão. (parte do braço) - O menino desenhou à mão. (modo)

         2- O garçom serviu a francesa. (mulher francesa) - O garçom serviu à francesa. (maneira)

         3- O menino bateu a porta. (fez barulho) - O menino bateu à porta. (fez-se anunciar)

         4- Ele observou a vista. ( paisagem) - Ele pagou à vista. (pagar na hora da compra)

         5- A criança comeu a bala. (o doce) - A criança saiu à bala da sala. (correndo)


           Além desses casos, há outras situações nas quais se exige muita atenção:

         ->Diante de HORA, quase sempre há crase. Para saber se há crase ou não, substitui o número de horas pela expressão MEIO-DIA. Se aparecer  ''AO'', usa-se a crase; se aparecer ''O'', não se usa. Ex.: Sairei às dez horas (sairei ao meio-dia) - Sairei após as dez horas (sairei após o meio-dia). Estou te esperando desde as três horas (Estou te esperando desde o meio-dia).

        -> NUNCA se usa a crase: diante de palavra masculina ( Sairei a pé. Escreva a lápis.) ; diante de verbo (Ela começou a chorar. Voltamos a apresentar o show.); diante de pronomes pessoais (Refiro-me a ele. Entregou a mim o pacote.); entre palavras repetidas (Dia a dia... gota a gota... ponta a ponta... lado a lado...); ''A'' diante de palavra no plural (Falei a todos. Não vou a festas de carnaval.)

       -> As locuções adverbiais indicativas de tempo, lugar e  modo sempre são craseadas. Ex.: Às vezes, dormimos mais cedo... Ele mora à esquerda da escola... As crianças saíram às gargalhadas...

       -> Muita atenção com as expressões: A partir de... a fim de... estudos a distância... (não são craseadas).

      -> Sempre que tiver dúvidas quanto ao uso da crase, lembre-se de que ela só poderá ser usada diante de palavra feminina. Porém nem sempre haverá. Então, quando haverá? Quando você substituir essa palavra feminina por uma masculina e aparecer ''AO''; se aparecer ''O'' ou permanecer o ?A?, não haverá crase. Ex.: Refiro-me à menina de olhos azuis (Refiro-me ao menino de olhos azuis.); Estudei a matéria (Estudei o texto.) Candidatou-se a vereadora (Candidatou-se a vereador.)

       -> Cuidar: Ele chegou há pouco (ideia de passado). Ele sairá daqui a pouco (ideia de futuro). Isso não tem nada a ver, ou melhor, tudo a ver.

       -> Há casos em que o uso da crase é facultativo, ou seja, tanto faz usar ou não. São três os casos: a) diante de pronomes possessivos femininos : minha(s), tua(s), sua(s), nossa(s), vossa(s); b) diante de nomes próprios femininos não determinados: Entreguei o livro a (à) Marina. Porém se esse nome vier determinado, a crase passa a ser obrigatória (Entreguei o livro à Marina, a bibliotecária); a) com a locução ''até a'': Iremos até a (à) feira.

       -> Usa-se crase também diante dos pronomes demonstrativos: aquela(s), aquele(s) e aquilo, quando esses forem substituídos por ''AO''. Ex.: Ofereci àquele jovem uma bebida (Ofereci ao jovem uma bebida); Refiro-me àquilo (Refiro-me ao problema.) ; O recado foi dado àquelas garotas (O recado foi dado aos garotos).

        CRASE = fusão de dois ''as'': um ''a'' preposição e outro ''a'' artigo definido. Ex.: Obedecemos a + a sinalização = Obedecemos à sinalização. (Obedecemos ao sinal).


Compartilhe esta coluna em suas redes sociais