Conforme o filósofo Descartes, liberdade consiste em afirmar ou negar, de que em nenhum momento, qualquer força exterior nos constrange.

Comprovando atos e fatos na luta por liberdade (17)

Adari Ecker
Agosto 28/ 2017

Ao se aproximar, mais uma vez, as comemorações da Semana Farroupilha, faço algumas considerações sobre liberdade e a comprovação de atos e fatos, em relação à Revolução Farroupilha/Guerra dos Farrapos.

LIBERDADE

Liberdade é a condição daquele que é livre, autodeterminado, independente econômica, administrativa e politicamente. É a condição daquele que tem capacidade de agir por si próprio, que tem autonomia. Na concepção ?negativa?, liberdade significa a ausência de restrições ou de interferência e no sentido positivo, liberdade significa a posse dos direitos civis, políticos e sociais. Portanto, é a conquista da cidadania plena. 

Conforme o filósofo Descartes, liberdade consiste em afirmar ou negar, de que em nenhum momento, qualquer força exterior nos constrange. 

Thomas Hobbes afirmou: ?homem livre é aquele que não é impedido de fazer o que tem vontade, no que se refere às coisas e que pode fazer por sua força e capacidade?. 

Já Emanuel Kant registrou que ser livre é ser autônomo, isto, é dar a si mesmo as regras a serem seguidas racionalmente. 


COMPROVANDO ATOS E FATOS NA REVOLUÇÃO FARROUPILHA

Apesar da destruição e da dispersão de inúmeros documentos, decorrentes das batalhas e das fugas, alguns destes sobreviveram à Revolução/Guerra dos Farrapos, e foram depois, reunidos e arquivados, guardando os registros dos atos e fatos do governo republicano.

Correspondências dos líderes Domingos José de Almeida, Bento Gonçalves, Corte Real, Garibaldi, Luigi Rossetti, Ismael Soares da Silva, Vicente da Fontoura, Atanagildo Pinto Martins, Rodrigo Félix Martins, entre outros, fazem parte do acervo, hoje guardado nos arquivos históricos do Rio Grande do Sul, Rio do Janeiro, e de outros lugares do Brasil, revelando os acontecimentos que envolveram tais personagens. 

Assim, por meio dessas fontes documentais, comprovamos que a Revolução Farroupilha/Guerra dos Farrapos, constituiu-se em um grande legado. Seus objetivos contribuíram para a construção de uma grande memória histórica e cultural, na luta pela autonomia e liberdade. 

Os documentos sobre a Revolução Farroupilha ? 1835-1845 registram a criação de uma nova República a partir de 11 de setembro de 1836, proclamada por Souza Neto, que lutou contra o Império do Brasil, numa sangrenta guerra civil, que envolveu todo o Brasil meridional.

Os Farrapos buscavam a independência e a autonomia dos povos aí estabelecidos, e em especial, a liberdade dos negros que viviam na condição de escravos. Estes, incorporados aos exércitos Farroupilhas, como os soldados libertos, se mostraram mais valentes ainda, na guerra por liberdade.

Os acervos documentais guardados, hoje demonstram a intencionalidade dos líderes Continentinos (assim se chamavam os Rio-Grandenses), e proporciona-nos a rememoração de um passado com conteúdo de um movimento glorioso, que viria a se valorizar, cada vez mais, com o passar do tempo.

Por meio destas relíquias, guardadas e preservadas, que proporcionam ao pesquisador a percepção do valor histórico dos feitos que influenciaram os líderes do movimento libertário, quer nas atitudes, quer nas decisões, demonstrando, como aqueles homens fizeram e dirigiram a Revolução/Guerra dos Farrapos, e o que significou para a história, cultura e tradição do Estado Rio-Grandense.


FARROUPILHAS/FARRAPOS EM JUCUIZINHO-CARAZINHO

Na região que compreendia o 4º Distrito de Jacuizinho, pertencente à Cruz Alta, lideram a Revolução Farroupilha/Guerra dos Farrapos o Alferes Rodrigo Félix Martins e os Capitães José Antônio de Quadros e João Floriano de Quadros.

Inclusive, Rodrigo Félix Martins foi designado pelo Governo da República Rio-Grandense, Coletor de Impostos no Município de Cruz Alta.

O fato é assim descrito nos Anais do Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul, Volume 8, CV-4602, páginas 271-272:

Cidadão Coletor. Tenho presente vosso ofício de 18 do mês passado participando estardes exercendo vosso emprego de coletor desta Vila, com o que se regozija o Governo por conhecer vossa inteireza e probidade. Quanto ao escrivão para essa coletoria, podeis nomear interinamente dando parte ao Inspetor do Tesouro para ser aprovada sua nomeação. Julgando que vos não tenham sido entregues as circulares do 1º e 13 do mês passado, vos incluo em 2ª via.  Suposto a que dispõe a do 1º do corrente, tendo em atenção o estado de oscilação desse município, determina o Governo que sendo necessário ao comandante da força aí residente, algum suprimento para a mesma força, vós aceitareis as ordens que sobre esta coletoria forem por tal comandante vibradas, o que cumprireis. Deus vos guarde. Secretaria do Interior e Fazenda, Bagé, 08 de março de 1842. 

Ao cidadão Rodrigo Félix Martins, Coletor da Cruz Alta.

O Alferes Rodrigo Félix Martins desempenhou papel relevante durante o decênio heroico. Em 1835 assumiu como Juiz de Paz, em 1836 assumiu a Vara do Juizado em Passo Fundo, em 1840 foi juramentado e assumiu como Vereador na Câmara de Cruz Alta e, depois da revolução, em 1850, assumiu novamente como Juiz de Paz em Passo Fundo.

Embora a relevância dos seus feitos, apenas uma rua com três quadras levam seu nome na cidade de Carazinho e, seguidamente a chamam de Rua Alferes Rodrigues.

Nenhum CTG, nenhum Piquete, nenhum Grupo de Cavalgadas se lembrou de denominar seu nome, o que no meu modesto entendimento é lamentável, pois Rodrigo Félix Martins marcou a sua época com trabalho sério em prol do desenvolvimento e do progresso da nossa região e foi Farroupilha/Farrapo. 








(Foto: Reprodução/ Internet)







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