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Revolução Farroupilha-guerra dos Farrapos: a busca da República Federal (16)

Adari Ecker
Agosto 18/ 2017

A Revolução Farroupilha, depois Guerra dos Farrapos, foi um movimento político-militar de cunho Republicano e Federalista, e decorreu da adoção de ideias do movimento Iluminista, surgido na França do século XVII.

Os filósofos iluministas John Locke (1632-1704), Voltaire (1694-1778), Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), Montesquieu (1689-1755), Denis Diderot (1713-1784) e Jean Le Rond d´Alembert (1717-1783), organizaram uma enciclopédia que reunia conhecimentos e pensamentos filosóficos avançados, com o propósito de iluminar as trevas em que se encontrava a sociedade.

Eles (filósofos) acreditavam que o homem adquire conhecimento com o passar do tempo, por meio da experiência e da prática. Defendia a liberdade de pensamento, o estado democrático, que garantisse igualdade para todos, a divisão dos poderes políticos em Legislativo, Executivo e Judiciário, entre outras inovações. 

  O Iluminismo foi mais intenso na França, onde inclusive, influenciou a Revolução Francesa, que nos legou o lema: Liberdade, igualdade e fraternidade. 

Com o decorrer do tempo estas ideias se propagaram pelo mundo e tiveram influência em outros movimentos sociais como: independência das colônias inglesas na América do Norte, independência das colônias espanholas, e no Brasil, várias revoltas e revoluções aconteceram durante o período do domínio lusitano e também durante o Império, como: a Inconfidência Mineira, a Balaiada, As Guerrilha dos Muras, a Guerra dos Emboabas, a Revolta do Sal, a Guerra dos Mascates, os Motins do Maneta, a Revolta de Felipe dos Santos, a Guerra dos Manaus, a Resistência Guaicuru, a Guerra Guaranítica, a Conspiração do Curvelo, a Conjuração Carioca, a Conjuração Baiana, entre outras. Todas buscando liberdade para o povo e, novas formas e sistemas de governo.

  O Regime Político-administrativo que vigora na época era o seguinte:

a) Em primeiro lugar vinha o clero;

b) Em segundo a nobreza;

c) Em terceiro a burguesia

d) E depois os trabalhadores da cidade e do campo. 


A REVOLUÇÃO FARROUPILHA, DEPOIS GUERRA DOS FARRAPOS


O Objetivo dos Farrapos era instituir a República Rio-Grandense e estendê-la as demais províncias do Brasil. A declaração de Independência do Brasil, por meio da cerimônia de Proclamação da República Rio-Grandense pelo General Antônio de Sousa Netto, após a batalha do Seival, desencadeou a Guerra dos Farrapos a partir de 11 de setembro de 1836.


Após esta cerimônia os Rio-grandenses manifestaram euforia, gritos de liberdade e vivas à República, e foi aí que Teixeira Nunes, o bravo dos bravos, apresentou pela primeira vez a bandeira tricolor (verde, vermelha e amarela), comemorando a independência dos gaúchos.


A partir daquele momento, ocorreu o início da Guerra dos Farrapos, e os combatentes haveriam de ter um Presidente da República independente e os soldados passaram a fazer parte do Exército Republicano Rio-Grandense.


Os gaúchos não lutavam mais por reconhecimento e atenção, mas pela defesa da independência e da soberania de seu país.


Exímios cavaleiros os "gaúchos", formavam corpos de cavalaria de choque aptos a travar uma guerra de guerrilha, com grande mobilidade e conhecimento do terreno, mas não dispunha de infantaria, artilharia e também no mar eram deficientes.


Mas mesmo assim enfrentaram o poder do Império e seus aliados, e é bom destacar: os farrapos lutaram contra o poder monárquico, jamais contra a nação brasileira. Os soldados de Piratini amavam a Pátria comum, querendo-a livre da autocracia monárquica, cujo unitarismo sistemático aniquilava as iniciativas locais e fazia campear entre os provincianos o descrédito no constitucionalismo imperial.


Os farrapos, antes e acima de tudo foram os verdadeiros precursores da República Federativa do Brasil, implantada em 1889. Esta República pouco difere do sistema e forma de governar do tempo do Império, mas já não temos homens da fibra dos líderes Farroupilhas.

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