Nutrição com saúde

Violência por Parceiro Íntimo (VPI)

Mauro Mazzutti
Julho 18/ 2017

No Dia Internacional da Mulher, trago um assunto que continua sendo realidade em nossa sociedade.  O tema também é pouco conhecido como uma doença: violência por parceiro íntimo (VPI). Para a vítima, é o resultado de um comportamento agressivo em um relacionamento ou ex-relacionamento íntimo, que causa danos físicos, psicológicos ou sexuais. Na maioria dos casos, o agressor age com violência grave e de forma repetida contra a parceira. A VPI contraria os direitos humanos e também é um problema psicossocial e deve ser combatido através de políticas sociais e educacionais.

A agressão pode ocorrer de várias maneiras, incluindo as físicas: golpes, chutes e espancamento; violência psicológica: intimidação e humilhação constantes; comportamentos de controle: isolamento da família e dos amigos, controle financeiro e do paradeiro, e violência sexual, incluindo o sexo forçado e outros tipos de imposições sexuais. 

Por mais que essas práticas sejam inconcebíveis, a violência por parceiro íntimo (VPI) é grande, sendo que, nos países estudados (inclusive no Brasil), sua ocorrência é similar aos casos de diabetes e asma, por exemplo, portanto, bastante comuns. Caso pior existe em alguns países africanos, onde as parceiras correm mais risco de sofrer ataques violentos em casa, pelo parceiro, do que na rua, por outras pessoas. O estudo realizado pela OMS concluiu, ainda, que nos 10 países estudados, dentre eles países desenvolvidos, a ocorrência da VPI ao longo de ao menos uma vez na vida é de 15 a 71%.

Mesmo não justificando, as causas desse comportamento estão ligadas à teoria da aprendizagem infantil, quando o agressor imita situações vividas quando criança. Porém, é importante deixar claro que a maioria das pessoas que viveram infâncias violentas, não reflete tal comportamento na vida adulta, deixando um ponto de interrogação na real causa dessa conduta. Alguns pesquisadores apontam que esses agressores têm dificuldade no controle da raiva e nas habilidades de comunicação e interação entre parceiros. Vícios como álcool ou drogas também ocasionar esse comportamento. A VPI é mais comum em sociedades onde a mulher tem menos oportunidades de trabalho.

Dificilmente a mulher conta o que vem sofrendo, abertamente, ao médico; na maioria das vezes cabe a ele a difícil missão de desvendar a situação. As marcas deixadas pelo agressor são as manifestações mais óbvias: traumas na face, cabeça, pescoço, perfurações do tímpano, entorses, fraturas, mordidas, feridas abertas, arrancamento de cabelo etc. Porém, nem sempre é tão simples fazer o diagnóstico e são nas entrelinhas que o caso é elucidado, pois além das marcas, essas pacientes apresentam uma série de problemas com a saúde física e emocional. Um comportamento bastante típico de quem sofre com VPI é o cancelamento sucessivo das consultas médicas, talvez demonstrando medo de que alguém descubra, ou da reação do agressor.

É de suma importância que os profissionais da saúde conheçam os caminhos que garantam segurança na decisão das pacientes que estejam em situação de violência íntima, e que queiram buscar medidas protetoras. O ministério da Saúde recomenda que haja organização de redes integradas, em que façam parte as áreas de saúde, de segurança pública e de assistência social. Em nosso país, abordar esse assunto de forma preventiva em instituições de ensino pode ter bons resultados e devem ser adotados; mas também é preciso ampliar as políticas sociais que possam combater esse mal.

Para denunciar você pode acionar os órgãos de segurança através do número 181 e ficar totalmente anônimo quanto ao caso. 

Abraços, Mauro.




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