História do Rio Grande do Sul em destaque

A desagregação da sociedade e o tradicionalismo gaúcho (14)

Adari Ecker
Julho 06/ 2017

Consta em Sociologia e Teoria Política do Estado, que o Estado surgiu da necessidade do controle da convivência humana, praticada para atender os anseios dos indivíduos que viviam em sociedade.

Norberto Bobbio (1909-2004) em seus estudos, diz que a palavra política deriva de politikós e diz respeito à cidade (Polis na Grécia Antiga), e também enfoca a sociedade.

Atualmente a política passou a ser um modo de "saber lidar" com as cidades e as sociedades. E como a sociedade civil se relaciona com os governos e com os Estados.

Bobbio faz referências à política e sua relação como poder (vontade dos governantes em relação à vontade dos homens - digam-se contribuintes) e da legitimação dessa vontade, que passa por etapas, como a econômica, a financeira, a ideológica e, evidentemente a política, que é exercida por meio da coação. 

Portanto, a política seria a razão do Estado. 

Fazendo-se breve análise em relação à eficiência do Estado em relação às necessidades da sociedade civil, conclui-se que há lacunas imensuráveis, uma distância muito grande em relação às necessidades do povo e a contrapartida que o Estado dá especialmente em relação ao que arrecada. 

Conclui-se então que o Estado não está cumprindo à sua função.

  No passado (Império do Brasil) os políticos responsabilizaram o regime monárquico, que passou a ser considerado inadequado para resolver os problemas da época.

Em 1889, políticos e militares implantaram a República dos Estados Unidos do Brasil, depois renomearam-na de República Federativa do Brasil. 

Foi implantada sob a ideologia do Positivismo, cuja ideologia vem administrando o Estado brasileiro até os dias atuais - com enorme concentração de poder, decisões e concentração dos recursos econômicos e financeiros na Capital Federal.

É publico que a classe política atual, por meio de sua forma de atuar, não satisfaz mais as nossas instituições republicanas, inclusive, desqualificam-na com suas práticas não recomendáveis.


 TRADIÇÕES GAÚCHAS


Em relação às tradições gaúchas, devemos lembrar que a história da ocupação e do povoamento do Estado do Rio Grande do Sul foi marcada pela questão da posse do território e da fixação dos limites fronteiriços. A conquista se estabeleceu por meio de disputas militares, guerras e diplomacia. O Rio Grande do Sul foi área conflituosa, local estratégico, que garantiu a presença portuguesa, que fornecia alimentos e outros bens para as demais regiões do Brasil, o que deixou enorme fonte histórica, cultural e tradicionalista. 

Portanto, a maioria do povo que vive no Rio Grande do Sul tem orgulho de ser gaúcho.

Mas a nível nacional, temos os piores políticos, os piores administradores públicos, as piores leis, leis e instituições que não funcionam, e que estão levando o Estado Brasileiro à deterioração e ao descrédito, tanto dentro como fora do país. 

Daí surge aquela ideia de não pertencimento nacional entre os gaúchos. 

A identificação do povo do Rio Grande do Sul, como gaúcho, assume enormes proporções, trata-se de representações éticas e morais herdadas historicamente e mantidas como um elemento demarcador na relação dos gaúchos com o restante dos povos do País.

Mas também se sabe que quanto mais deteriorada e desorganizada a sociedade, mais fácil fica para governar. 

Por isto a indiferença, o abandono e a falta de planejamento a longo prazo, em relação às atividades tradicionalistas, que atualmente não envolve mais de cinco por cento da população do Rio Grande do Sul.

Assim o tradicionalismo perde grande parcela da população, especialmente os jovens, que poderiam se integrar ao movimento.

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