História do Rio Grande do Sul em destaque

A revolução de 1923 começou no distrito de Carazinho (10)

Adari Ecker
Maio 15/ 2017

Após esta eleição de 1922, conturbada e fraudulenta, o governo eleito passou a comprar armas e munições, enviando-as, principalmente para as intendências (prefeituras) de Soledade e Caxias, prevendo uma reação da oposição inconformada com o pleito, conforme registro no jornal Correio do Povo de 27 de dezembro de 1922.

O Rio Grande do Sul, na época, tinha 267.690 eleitores nos 72 municípios, sendo que em Passo Fundo, diga-se Distrito de Carazinho/RS, a maioria dos eleitores eram filiados ao Partido Libertador (Maragatos). 

Foram 106.319 votos conquistados por Borges de Medeiros, enquanto seu opositor, Assis Brasil, obteve 32.217. O número de votos deveria corresponder aos ¾ exigidos pela Constituição do Estado para confirmar a elegibilidade. Em Porto Alegre, foram anulados 1.026 votos. Calcula-se que no pleito foram subtraídos mais de 6.317 votos da Aliança Libertadora, liderada por Assis Brasil.

      Diante da fraude, no dia 25 de janeiro de 1923, quando Borges de Medeiros assumiu o governo, iniciou o movimento armado, em Passo Fundo e Carazinho, que ficou conhecido como Revolução de 23 ou Revolução Assisista.  

O Gen. João Rodrigues Menna Barreto e o Cel. Salustiano Pádua lideraram a rebelião na região.  Em janeiro e fevereiro, a Revolução atingiu, também, Palmeira das Missões, Nonoai e Erechim. 

Os líderes maragatos Honório Lemes, o Leão do Caverá, José Antônio Matos Neto (1864 -1948), conhecido como Zeca Netto, e Felipe Portinho (1865-1947), na área da Campanha, formaram tropas, incluindo estancieiros, peões, militares, estudantes e desocupados, no geral, todos mal armados. Na região, o líder era o General Leonel Rocha.

Em diversas cidades gaúchas, as senhoras organizaram a Cruz Vermelha Libertadora para socorrer os feridos. 

Em 1918, Carazinho teve sua emancipação negada pelo governo borgista, enquanto emancipou Erechim, uma colônia servil ao governo do Estado.

Com a revolução de 1923, os assisistas (Maragatos) emanciparam Carazinho, dando-lhe o nome de Assisópolis, uma homenagem ao seu líder Joaquim Francisco de Assis Brasil. Esta denominação permaneceu enquanto durou o conflito. Após a pacificação, a cidade retornou ao antigo nome. 

Durante a Revolução, eram mais de 3000 homens em armas.

Os assisistas que haviam apoiado a eleição do presidente Artur Bernardes, em 1921, esperavam que o presidente realizasse uma intervenção federal, impedindo a posse de Borges de Medeiros, embora a intervenção, por parte do poder federal, fosse proibida pela Constituição Federal de 1891, conforme o artigo 6º. Borges de Medeiros, político hábil, aproximou-se do presidente em exercício, frustrando as expectativas Maragatas.

             A crise na pecuária, aliada à reeleição fraudulenta de Borges de Medeiros, foi o estopim, para que se iniciasse o confronto. O Presidente do Estado não atendia às reivindicações do setor agropecuarista e começava a falar em direitos sociais.

Depois de vários conflitos e combates, com grande repercussão e mortes, foi formulado o protocolo de paz, que Assis Brasil assinou, em seu castelo, à noite do dia 14 de dezembro, consta dos seguintes itens: 

a) Proibição da reeleição; 

b) Adoção da lei federal eleitoral; 

c) Garantia de mais uma cadeira para deputado estadual da oposição; 

d) Adiamento para eleições para deputado e senador; 

e) Anistia os revolucionários; 

f) Reforma da Lei de Organização Judiciária; 

g) Limitação de 60 dias para intendentes provisórios e presença do ministro da guerra nas eleições de 1924.  

O major Euclides de Figueiredo (pai do ex-presidente Figueiredo) trouxe a ata para Porto Alegre, que foi assinada por Borges de Medeiros no dia 15 de dezembro de 1923.

O Pacto de Pedras Altas proporcionou mudanças no quadro político do Rio Grande do Sul, possibilitando alterações na Constituição de inspiração positivista de 14 de julho 1891, escrita por Júlio Prates de Castilhos. Mas mesmo depois da paz os Libertadores/Maragatos continuaram sendo perseguidos pelo Governo do Estado e, muitos foram mortos.

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