Saúde em destaque

Apneia do sono

Mauro Mazzutti
Abril 18/ 2017

Um sono recuperador é tudo o que desejamos. Infelizmente, nem todos tem esse privilégio, especialmente quem sofre com a apneia obstrutiva do sono. Nesse distúrbio, ocorrem paradas e recomeços da respiração. Isso, devido à interrupção do fluxo de ar nas vias aéreas, causada principalmente pelo relaxamento excessivo dos músculos atrás da garganta. Na versão mais branda da apneia do sono - onde há uma redução de 30% a 50% do volume de ar - o principal sintoma é o ronco. É uma doença potencialmente grave, pois as paradas na respiração debilitam a saúde cardiovascular, podendo causar arritmia cardíaca, infarto, hipertensão e derrame.

Uma pesquisa do Ministério da Saúde apontou que 50% dos brasileiros reclamam da qualidade do sono e que a apneia está presente em torno de 10% da população. A maioria das pessoas que desenvolve a doença tem mais de 65 anos, e são homens. Outros fatores de risco incluem a obesidade, o diâmetro do pescoço acima de 40 cm, o estreitamento das vias aéreas (congestão nasal), o histórico familiar e também nas pessoas que consomem alguma droga sedativa antes de dormir, como álcool ou indutores do sono, por exemplo.

Entre as principais consequências da apneia do sono, destaco a hipersonia caracterizada pela sonolência excessiva durante o dia. Sendo assim, é necessário um cuidado especial para os que trabalham dirigindo veículos ou operando máquinas. Outros sintomas relatados são: dores de cabeça matinais, esquecimentos, depressão e, muitas vezes, irritabilidade, característica de quem teve uma noite mal dormida. Isso tudo, além das inconveniências com os parceiros de quarto.

Diagnosticar a apneia do sono nem sempre é fácil e muitos de seus portadores passam anos sem descobrir e sofrem as consequências. Isso acontece porque os episódios vividos durante o sono são confundidos com sonhos e esquecidos no outro dia. O exame que mostra com clareza o que a pessoa tem vivido durante o sono é a polissonografia. Nesse exame o paciente dorme em um centro especializado, conectado a um computador que fornece um mapeamento detalhado do seu sono, facilitando o diagnóstico.

O tratamento inclui medidas gerais, como a redução do peso, do consumo de álcool e o tratamento da congestão nasal. Outro detalhe importante é praticar o que os especialistas chamam de higiene do sono, quando o paciente é orientado a evitar alguns hábitos noturnos, como bebidas com cafeína, tabaco, exercícios intensos, refeições pesadas e medicamentos sedativos. Existe ainda o tratamento mecânico, através do uso de um aparelho chamado CIPAP (em português: pressão positiva contínua na via aérea), há também a possibilidade de ser indicada cirurgia para correção de adenoides, palato ou faringe.

São vários os estudos relacionados com a apneia do sono: diminuição da qualidade de vida, Mal de Alzheimer e morte súbita. Por isso, se você sente muito cansaço após o sono e se encaixa nos fatores de risco, procure um médico. O mesmo vale para quem convive com uma pessoa que manifesta esses sintomas: busque o atendimento médico para seu (sua) parceiro (a), porque mudar de quarto certamente não vai ser a solução. Abraços, Mauro.



(Foto: Divulgação)



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