Neste texto, algumas informações sobre dermatite atópica, uma doença de alta prevalência que atinge 15 a 23% da população

Dermatite atópica

Mauro Mazzutti
Março 21/ 2017


A pele é o maior órgão do corpo humano. Faz jus ao seu tamanho exercendo uma série de funções no organismo, como: proteção (contra danos, traumas e micro-organismos), termorregulação (pequenos poros na pele se dilatam e se comprimem ajudando a regular a troca de calor), resposta imunológica (é um dos primeiros alertas do nosso corpo frente a substâncias alérgicas), barreira contra perda de água (ajuda a manter a hidratação do nosso corpo), secreção de resíduos (auxilia na eliminação de substâncias odoríferas, como o alho, por exemplo) e, ainda, é um órgão sensorial, nos auxiliando a perceber sensações, boas ou ruins, como dor, calor, maciez etc.

Porém, para desempenhar de forma adequada todas essas funções é importante que as reações bioquímicas e a fisiologia da pele estejam em perfeito funcionamento; a falta, o excesso ou até disparidades na produção de qualquer uma das centenas de células ou nas substâncias químicas envolvidas nesses processos pode resultar em alguma doença de pele.

Neste texto, trago algumas informações sobre dermatite atópica, uma doença de alta prevalência que atinge 15 a 23% da população. Em 90% dos casos, se instala antes dos 5 anos de idade. No Brasil, são diagnosticados mais de dois milhões de casos por ano. A dermatite atópica tem forte caráter hereditário, não é contagiosa e é definida pela inflamação crônica da pele. O conceito atopia é utilizado para descrever uma predisposição para desenvolver certas doenças, que, somada ao fator ambiental, pode determinar sua ocorrência.

Pacientes com dermatite atópica, normalmente, possuem alguma deficiência no microbioma da pele - bactérias que vivem nela e são responsáveis por mantê-la saudável.  Outra característica comum nesses pacientes é ter um sistema imunológico hiperativo e em desequilíbrio, bem como uma barreira cutânea ineficaz. Devido a essas condições, certos produtos ou substâncias com que entramos em contato diariamente (pólen, poeira, produtos de higiene ou de limpeza, entre outros), conseguem penetrar profundamente na pele e ocasionar os sintomas.

A pele se apresenta seca, sensível e irritada. O prurido (coceira) é uma das principais manifestações, e isso faz com que a doença piore, pois a fricção mecânica faz com que a pele fique ainda mais inflamada. O aparecimento de crostas, pequenas vesículas (bolhas), vermelhidão e escoriações também são queixas comuns na crise aguda da doença. Quando ocorre a remissão dos sintomas, o ressecamento intenso da pele costuma ser o único resquício.

O consultório dermatológico é o local mais apropriado para que seja feito o diagnóstico, pois é equipado com lupas e luzes que facilitam o reconhecimento da doença. O local das lesões costuma ser indicativo: em bebês aparecem mais na face (bochecha e queixo), e em crianças e adultos costumam aparecer mais no pescoço, ombros, pulsos e joelhos, mas podem aparecer em qualquer parte do corpo.

Para obter sucesso no tratamento é importante reconhecer que se trata de uma doença crônica, portanto, devem ser adotadas medidas de longo prazo, até mesmo para o resto da vida. O principal intuito do tratamento é reestabelecer a barreira natural da pele e isso pode ser alcançado com o hábito de aplicação diária de loções (mesmo que sem sintomas) que contenham emolientes (hidratantes), porém sem perfumes ou outros componentes alérgenos. O médico poderá prescrever antialérgicos orais e/ou tópicos. O banho deve ser morno, com sabonetes líquidos e neutros, sem esfregar demais o corpo, não usar buchas ou outros acessórios que possam retirar demasiadamente a hidratação natural.  Por mais que seja difícil, não se deve coçar, a dica é armazenar os cremes na geladeira para reforçar a sensação de alivio que eles proporcionam. Controlar o estresse, pois ele também pode desencadear crises da doença.

Abraços, Mauro.

 

 

 

 

 

 

Compartilhe esta coluna em suas redes sociais