Coluna Circulando e a política atual.

Afastamento.

Ana Maria Leal
Maio 22/ 2019

O pedetista Anderson Amaral, depois de 30 anos não só como militante mas envolvido nas questões jurídicas do seu partido em Carazinho, está dando um passo atrás.

Vai se afastar do trabalho voluntário na assessoria jurídica da sigla e também sem figurar no diretório ou executiva.

O motivo não tem nada a ver com questões internas pedetistas, mas puramente em razão da dificuldade que afirma ser cada vez maior para os partidos em razão das exigências referentes às prestações de contas.

Tanto que não está deixando o PDT, apenas não vai continuar cuidando da área legal.

Sua decisão, inclusive, foi comunicada ao então presidente Acácio Souza antes da convenção do último sábado (18).

''_É cada vez maior a dificuldade da prestação de contas de campanha ou prestação ordinária anual. Tem se tornado uma dor de cabeça constante para qualquer partido, são muitas exigências, existem certos entendimentos da justiça eleitoral que se tornam posteriormente multas, e essas, atribuídas ao partido, geram valores expressivos''.

Anderson também disse que há a responsabilização do partido, pois posteriormente são ajuizadas ações de execuções, multas se transformam em título, um título executivo que será cobrado pela procuradoria eleitoral.

''_Tenho a experiência do PDT, houve um entendimento de que contribuições de filiados não poderiam ser utilizadas pelo partido em campanha eleitoral, que se transformou em multa. O deputado Pompeo de Matos está tentando através de um projeto de lei uma anistia para esses casos, pois se tornou uma fábrica de multa em todo o país, e desta forma vai se tornar totalmente inviável a direção partidária, muita gente se afastando de diretórios e executivas de partidos em função disso. Está realmente muito difícil assumir cargo em direção partidária em função do que se vê por decisões da justiça eleitoral''.

Isso explica a dificuldade que alguns partidos encontram na hora de montar o diretório.

''_ No nosso caso, do PDT, são 60 nomes, 45 mais 15 suplentes, dentre esses escolhe a executiva, e não está sendo fácil, os partidos não tem renda para manter tanto um advogado quanto um contador, você se socorre de pessoas que fazem parte do partido que voluntariamente trabalham nisso, mas o profissional tem outras atividades, e a legislação eleitoral é tão ampla que se torna complicado atuar nos partidos''.

Sobre deixar essa função no PDT de Carazinho, resumiu:

''_ Depois desse tempo todo contribuindo, chegou a hora que outros participem tanto da assessoria jurídica quanto dentro da direção do partido. Tomara que o eleito para presidir o partido consiga conduzir e formar uma equipe que possa trabalhar, e já digo que tem que atentar para a questão contábil e jurídica, ter um cuidado muito grande para não virar em multas, inclusive para futuras candidaturas''.

E quem pensa que há dinheiro do fundo partidário para ajudar a pagar multas, está enganado.

''_ Nesses 30 anos que estou envolvido em Carazinho nunca se recebeu 1 centavo. As direções nacionais eventualmente encaminham para o diretório estadual, em caso de eleições estaduais, mas diretório municipal não tenho conhecimento, é cada um por si''.

Na foto do Circulando Anderson aparece na convenção do último sábado, acompanhado por Otávio Ruas, Paulo Rogério Barros e Helio Rocha. 


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